Lu Genez [As coisas nítidas]

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Lu Genez


As coisas nítidas, vistas sem sombra, no escancaro de uma janela, um olho no espelho, outro na carne, sem as mentiras dos lábios que declaram amor após o coito, confundindo o gozo, num ato cênico. Não haverão aplausos da plateia, aos atos mambembes, enquanto tudo for deserto, pele e silêncio.

Quando se arranca todo o resto, sobra apenas a rigidez do osso, o desamparo e o desalento, sobra o sonho inacabado, o delírio e o picadeiro, o riso do palhaço morto, em um dia sem recomeço. Não haverão afagos, enquanto os braços vazios estão incompletos.

Não há resposta, apenas escolhas e feridas, apenas o chão que nos cabe, aquele que leva ao incerto, ao paraíso e ao inferno. Não há resposta, para as perguntas indignas, para os perjúrios e as blasfêmias, para as orações em pé de santo, para os adjetivos de solidão.

As coisas nítidas, vistas no ângulo de dentro, sem nenhum embaço, sem nenhum embaraço no íntimo da negação, na clareza da tragédia, é luz. Não há breu em meu nome.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora… E Livre Pensadora.

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