Lu Genez – [Aprendi um pouco sobre mertiolates, perdão e feridas]

Lu Genez


Aprendi um pouco sobre mertiolates, perdão e feridas
Não daquelas expostas a céu aberto
De corte profundo, de se dar repugnância ao vermelho.
São as outras, as que incomodam diferente
Mais fundo, mais dentro, mais perto.
Fluidos corporais que não correm aos bueiros.

Não se tem cor, característica ou forma
Indescritível aos vocábulos acadêmicos
inodora, inaudita, indecente
Não sofrem de nenhum processo de putrefação aparente
Não fedem, não gemem,
Não se dobram à eficácia dos mertiolates

Remédios cicatrizantes aceleram a recomposição do tecido,
Se prestam aos olhos dos outros.
Morre-se um pouco, hoje.

Há de se ter paciência no caminho
Antídotos precisam de testes aplicados
Amostragens confiáveis, de baixo desvio padrão.
A cura não surge em noites de céu estrelado.
Cobaias, por vezes, sobrevivem as provações do cotidiano
Placebos são paliativos de reza.
Melhor é se crer em algum sol.
Renasce-se um pouco no calendário cheio,
Em dias pares e ímpares.

06\03\20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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