Lu Genez – [Aos poucos as palavras nos abandonaram]

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Lu Genez


Aos poucos as palavras nos abandonaram, nos deixaram a deriva, à míngua dos dias,
sem qualquer rastro ou sobra a se deixar na língua,
Sem se olhar nos olhos, sem que pudesse o espelho nos salvar de nós.
E a boca vazia sente fome de amor, do gosto do gozo e do suor de sua pele.

E a memória do verso escorre sobre o sexo desnudo
Como o fluído afrodisíaco das oferendas de coito
Consumido ao final da carne com seus outros quereres de solidão.
E o rio e seus afluentes, caminham entre as margens, não sorriem mais a aparição do sol.
E a terra seca de sementes, não sabe ser nascente.

Enquanto a gente, já se esqueceu dos dedos e de toda a poesia das carícias
E o fonema inaudito, perdeu-se no vão das coisas,
nas areias corrediças dos lábios que não são meus.
O afago virou ausência no arrasto da noite mais escura.

Aos poucos as palavras nos abandonaram, deixaram de nos queimar a pele, de ser som, ruído, gemido,
nenhuma vibração acústica sobre as costas nuas
O silêncio cobrindo de branco o vácuo, enquanto as estrelas dormem em céu nenhum.

14/08/22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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