Lu Genez [A morte que reina e rodopia no chão da sala]

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Lu Genez


A morte que reina e rodopia no chão da sala em dia de segunda, teimosa e tísica, lírica e nefasta, que sabe os passos da dança, senhora de saias e abano,

abrindo um canteiro difícil de rega, na hora da santa missa, na hora do chá das cinco, na hora errada, impermetida, na hora fálica, improvável gozo e aceno. Não te fantasio o corpo e os pelos, é nu o corte, a serrilha e o que é ceifado.

O deserto repleto de cantos, sons e solidão, os bichos cruzando genitálias e, os ventos soprando de lá e cá, sem licenças éticas, poéticas, performáticas, sem licença alguma.
Só um nome e o inominável fim, só cinza e término de labareda, só a inevitável resistência dos cacos e ossos.

A inquietação silenciosa que corre ao lado do sangue, espalhando-se por entre órgãos e tecidos e trechos, entre os meios e os buracos, abaixo da pele, a uma centena de tempo, desde as eras, ao que se acaba, ao relento e o pranto, aos sinais alienígenas e aborígenes, desde que os olhos se fecham, e eu não disse nada, não disse adeus, não xinguei Deus e seus arcanjos, não abracei inferno, não blasfemei versos e estrofes, não fui puta ou santa, só amei memórias e vasos vazios, sigo no meu anonimato e delito.

Ao instante seguinte, a crua nudez da morte.
Ao inacabado
Ao incompleto
Ao trauma
A  ruptura das cordas.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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