Lu Genez [A civilização termina acima da linha d’água]

Compartilhe!

Lu Genez


A civilização termina acima da linha d’água
Onde se boiam os pecados,
Abaixo dela, talvez sejamos, só boas iscas probióticas
Prescritas na dieta, para o jantar
Ou o pior, um amontado de lixo orgânico,
Carcaças humanas com olhos de vidro,
Embaladas em pretos sacos plásticos,
Que é para poluir diferente
os mares e as enseadas paradisíacas
Ditados em roteiros de viagem
Que não se prestarão ao convívio padrão
Dos canibais de circo.

a soberba arrogância sobre sermos pensantes
os animais que foram o topo da pirâmide alimentar.
Todos mortos, aguardando o desague dos corpos
Na fila do caixa de supermercado, no bar lotado
nas praias, dos sóis de 40 graus, que não contam siris de areia.
o signo sagitário do corcovado,
Os braços abertos de cartão postal
No verso, os versos legados do poeta.
Abandonados são, os créditos finais.

Esse é só mais um dia antes da linha
Pra se inaugurar o prédio mais alto do mundo
De lá se vê o término do oásis.
Um caminho de ares poluídos
da nossa moderna civilidade fatal.

Brindemos ao chegado da hora.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora e Livre Pensadora.

Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!