Kim Kehl & Os Kurandeiros – Mambo Jambo

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Barata Cichetto


Se o primeiro disco de Kim Kehl e os Kurandeiros parecia meio perdido em estilos, esse “Mambo Jambo” traz Kim e sua banda ao que deve ser seu estilo fundamental: Rock’n’Roll.

Já na primeira faixa “Cocada Preta”, falando de tradições brasileiras, o disco mostra ao que veio. A segunda “A Galera Quer Rock”, começa com um grito de “Rock’n’Roll” num estilo vocal que homenageia um dos grandes, o mestre Johnny Winter”. E além de reafirmar que o ouvinte está diante de um disco de Rock, a letra é meio autobiográfica, com Kim deixando meio claro que quando ele navegou por mares nem tão metálicos, a galera o reconhecia e queria Rock.

“A Bomba (do Amor)” começa com um tecladinho e uma guitarra meio Jovem Guarda e é por ai que a musica vai, embora a letra seja um alerta político bem interessante. Boa forma esta que Kim achou de falar sobre coisas sérias demais. Para algumas pessoas essa musica pode parecer “out to date”, “hipponga”, essas coisas, mas acho que mostrar os caminhos errados que a humanidade anda trilhando é sempre positivo. Detalhe, num determinado momento a música se transforma num “rap”, numa atitude que demonstra que não podem existir preconceitos musicais e artísticos quando o assunto é “salvar a humanidade” com “A Bomba do Amor”.

“Vampiro”, a quarta faixa, poderia remeter à lembrança de uma música homônima de Jorge Mautner, mas o que percebo ali é uma espécie de retorno às raízes de Kim, com uma composição típica do estilo Lírio do Vidro e Patrulha do Espaço, com um solo de sax tenor maravilhoso de Otavio Lopes “Bangla”.

“O Kurandeiro” ponteada com a lap steel de Marcos Ottaviano e com a presença constante da percussão de Carlos “Ligeirinho” Mota, onde rola até mesmo uma cuíca. A letra, uma demonstração de que KK&K faz questão de misturar elementos culturais progressistas do Rock ao misticismo mais popular.

Já, “O Jogador”, única música que não é composição da banda, tem a presença marcante do estilo de seus compositores, Lú Stopa e Kid Vinil. Os destaques para mim são a bateria de Fabio Scattone e a tecladeira de Nelson Ferraresso.

“Hey Mãe” lembra nitidamente a influência da considerada Rainha do Rock Brasileiro, Rita Lee, com participação de Ayrton Mugnaini Jr no baixo.

Já “Os Brutos Também Amam”, título homônimo a um filme e uma música brega ai da década de 70, na voz de Agnaldo Timóteo, começa com um solo de guitarra muito bonito e poderia muito bem figurar no repertório de qualquer dupla sertaneja. Será que é influência da vivência de Kim com elas? Mas o solos de guitarra de acabam salvando a música.

“Maria Maluca”, com destaque ao piano de Nelson e a percussão do grande Carlinhos Machado, em minha opinião é uma música que muito bem poderia ficar de fora do disco que não iria fazer falta.

Afinal, a última faixa recupera o pique desse “Mambo Jambo” e entra no fértil terreno do Blues, novamente com a participação da guitarra de Marcos Ottaviano e contando com o piano de Adriano Grineberg. Maravilhoso som.

Em resumo, “Mambo Jambo” de Kim Kehl e os Kurandeiros” é um disco indicado a todos os gostos, do roqueiro não radical ao sujeito acostumado a coisas mais tranqüilas. Mas o principal resultado desta mistura de rítmos e cultura tupiniquim é criar um suco cultural altamente palatável saído de um liquidificador musical chamado KK&K.

Kim Kehl & Os Kurandeiros – Mambo Jambo
1 – Cocada Preta
2 – A Galera Quer Rock
3 – A Bomba (do Amor)
4 – Vampiro
5 – O Kurandeiro
6 – O Jogador
7 – Hey Mãe
8 – Os Brutos Também Amam
9 – Maria Maluca
10 – Rabo de Saia

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador.

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