Grand Funk Railroad

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Barata Cichetto


O Grand Funk Railroad foi formado em 1967 em Michigan, EUA inicialmente com o nome de “Terry Knight And The Pack”, por Knight, Don Drewer, bateria e Mark Farner, guitarra. Em março de 69, com Mel Schacher no baixo em lugar de Terry, que passa apenas a ser o empresário, a banda muda o nome para Grand Funk Railroald, em homenagem a uma famosa estrada de ferro da região.

Em Julho desse, em Atlanta Pop, em um festival que reuniu 180.000 pessoas e juntou feras como Led Zeppelin, Janis Joplin e Johnny Winter, o GFR fez sua avassaladora estréia no mundo do Rock, sendo que no último dia do Festival, a banda foi alçada a condição de “headliner”. Um mês depois a banda lança seu primeiro disco, “On Time”, que rapidamente se tornou sucesso nacional americano. Isso fez com que a banda se lançasse numa histórica turnê, em alguns casos roubando a cena de bandas poderosas como o Led Zeppelin, em shows cheios de raça, peso e energia.

Poucos meses depois é lançado o segundo disco “Grand Funk”, absurdamente pesado que até hoje é considerado um dos melhores trabalhos da banda. Junho de 70 e o Grand Funk lança “Closer To Home”, que vai direto ao 6º. lugar da parada americana, numa mudança temática, tanto musical quanto nas letras. Nesse mesmo ano, o primeiro álbum ao vivo, intitulado “Live Album” que ganha Disco de Ouro e depois Duplo de Platina.

“Survival”, uma autêntica obra-prima do Rock, é lançado em abril de 71, que trás uma definitiva versão de “Gimme Shelter” dos Stones. Uma nova turnê e o GFR toca em Londres para uma platéia de 100.000 pessoas. Em novembro de 71, uma nova surpresa, a começar pela capa criativa em forma de moeda: “E Pluribus Funk”. Musicalmente, um os primeiros grupos a usar arranjos sinfônicos em arranjos.

Nesta época, começam algumas desavenças, principalmente com relação ao empresário, Terry Knight e a entrada de um tecladista, Graig Frost, reflete negativamente no próximo álbum da banda “Phoenix”, lançado em 72 e que é um tanto arrastado. O nome da banda é abreviado para apenas “Grand Funk”.

Entretanto, em 1973, as coisas começam a melhorar e em julho é lançado “Were An American Band”, trazendo o 2º. lugar na parada e o maior hit da banda até então. Em 74, mais um álbum, também com inovações no visual e uma produção caprichada de Tod Rundgreen, que também produzira o anterior: “Shinin’ On” e mais um primeiro lugar na parada: “The Locomotion”. Mais uma turnê e mais um disco ao vivo: “Caught In The Act”.

1974: “All The Girls In The World Beware…”, um disco totalmente comercial, sem o mesmo peso anterior e mais prêmios; e dois anos depois, o que é considerado o pior trabalho do Grand Funk: “Born to Die”. Nesse mesmo ano de 76, o genial Frank Zappa produz “Good Singin’ Playin”, tentando dar uma maior credibilidade a banda. O resultado comercial é horroroso e a banda decide acabar.

Entretanto em 81, com Dennis Bellinger no lugar de Mel no baixo, o Grand Funk retorna aos trilhos e depois de uma extensa turnê o resultado é mais um ao vivo:”Grand Funk Lives”. Pouco tempo depois, em 83 a banda lança “What’s Funk”, algo que soa no mínimo estranho aos antigos fãs, com bateria eletrônica e outras bizarrices. A Warner despede a banda que desta feita acaba se dissolve.

Com inúmeros problemas particulares que afligem seus músicos, o Grand Funk parece mesmo ter chagado ao final com Mark Farner tornando-se Pastor Evangélico. Mas ainda não era desta vez: em 1996 o Grand Funk retorna á estrada com sua formação clássica original: Mark, Don e Mel, para um show beneficente aos desamparados da Bósnia, que gera mais um petardo ao vivo: “Bósnia”. Em 99, um Box luxuoso com o nome de “30 Years of Funk”, com muito material inédito e todos os hits da banda remasterizados.

Atualmente o Grand Funk ainda excursiona, sem entretanto a figura de Mark Farner, mas o que esta banda representou e representa dentro do contexto do Rock é inegável. Seu papel foi decisivo para a formação de inúmeras outras e o Grand Funk merece figurar em lugar de honra no Panteão do Rock.

/ 2001

Um Velho Disco de Vinil

Bem lá no fundo do meu baú, completamente riscado, sem a capa prateada em forma de moeda, inclusive em alto relevo, um das melhores obras do Rock. O disco E Pluribus Funk, do Grand Funk Railroad, de 1972. Experiências e arranjos sinfônicos, em sete faixas produzidas por Terry Knight.

Retiro o disco de vinil do celofane, coloco no toca-disco e os chiados logo começam. Lado 1, primeira faixa “Footstompin’ Music”, um bom e velho Rock and Roll. “People Let’s Stop The War”, “Upsetter”, um ritmo de cavalgada e “I Come Tumblin”. Fim do lado 1. Já?! Levanto da cadeira, retiro o braço do toca-discos, pego o vinil com todo o cuidado, viro e recoloco o braço. Mais ruído e “Save The Land”, “No Lies” e uma das coisas mais lindas que já ouvi, “Loneliness” com um arranjo orquestral lindo, quase um lamento o vocal…prosseguindo num ritmo apocalíptico, misturando a orquestra com solos de guitarra, lamentos…É de chorar!

O disco termina, não consigo levantar da cadeira, fico ali inerte olhando o braço do velho toca-discos pousado como uma mão que acaricia o disco, parecendo saudoso daqueles chiados, parecendo lamentar que não se fazem mais discos de vinil, que não se faz mais o bom e velho Rock and Roll. Ah, meu velho toca discos, meus velhos discos de vinil, meu velho Rock and Roll, meus velhos amigos…

Levanto, retiro o braço do toca-discos igual o braço de um amigo que repousa em meu ombro após adormecer, recoloco o vinil no celofane e de volta ao meu Baú, com a sensação de ter abandonado um amigo em alguma rua escura do meu passado.

24/04/2000

E Pluribus Funk
Grand Funk Railroad
Lançamento:15 Novembro 1971
Gravação: Setembro 1971
Estudio: Cleveland Recording Company, Cleveland
Gravadora: Capitol
Produtor: Terry Knight

Faixas:
Lado 1
1. “Footstompin’ Music” 3:48
2. “People, Let’s Stop the War” 5:12
3. “Upsetter” 4:27
4. “I Come Tumblin'” 5:38
Lado 2
1. “Save the Land” 4:14
2. “No Lies” 3:57
3. “Loneliness” 8:38

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador.

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