Genocídio

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Barata Cichetto


O que é mesmo ser resistência quando se tem a existência ameaçada? Queria mesmo entender isso. Se for enterrar viva uma pessoa por que ela não concorda com sua ideologia, então serei também.

Existe um genocídio em curso e pouca gente percebe. É silencioso, não deixa marcas, nem se usa nenhuma arma como facas, revolveres ou espadas. Sequer as mãos são usadas. Um tipo de morte que não causa culpa nem vergonha, que não é punida.

Tal forma de morte é causada pela perda de vontade que se adquire, cujo resultado não é a morte física imediata, mas faz com que se arraste até o fim, até o desfecho, que pode ser com uma corda, veneno de rato, ou mesmo um providencial ataque cardíaco.

Os causadores são aqueles que, por discordarem da forma de pensar de alguém, simplesmente passam a ignorar tudo o que essa pessoa faz ou diz, mesmo que não tenha nada a ver com política, depois ofender, depois impedir que o outro tenha acesso a qualquer grupo, por fim, o impedir de trabalhar, criando obstáculos à sua sobrevivência, portanto assim ameaçando sua existência…

Acredito que entendam sobre o que e sobre quem falo. Não concordar com o pensamento de “esquerda” , foi transformado em crime, e então o “réu” é condenado ao pior tipo de morte que pode existir: a perda da vontade de viver. E isso não respeita qualquer tipo de laço: amigos, parentes, filhos, pais, irmão, qualquer um será condenado à morte em vida por se opor a um ideal criminoso.

Genocídio limpo! Então, eu queria mesmo é que pessoas que ostentam essa frase pensassem bem nisso. Mas não creio que o farão. Aliás, com a publicação do presente texto, outros tantos agirão da mesma forma, ou seja, mais e mais terra sobre este cadáver sepultado vivo.

20/12/2018

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

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