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Estranhas Realidades

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Renato Pittas

Onde as estrelas dançavam em um balé cósmico, havia uma rua estreita. Os moradores sussurravam que ali, entre os prédios decrépitos e as árvores retorcidas, existia um portal para outras dimensões. Um portal que só se revelava aos olhos daqueles que ousavam olhar além das aparências.

Ninguém sabia ao certo como o portal funcionava. Alguns diziam que era um espelho antigo, pendurado na parede de uma loja de antiguidades. Outros afirmavam que era uma poça d’água no meio da rua, que refletia o céu de maneira estranhamente distorcida. Mas todos concordavam em uma coisa: quem cruzasse aquele limiar, jamais seria o mesmo.

Uma jovem sonhadora, estava cansada da monotonia da vida. Trabalhava em uma biblioteca empoeirada, catalogando livros esquecidos. Seu coração ansiava por aventura, por algo que a tirasse da rotina cinzenta. E foi assim que ela encontrou o portal.

Naquela noite, quando a lua estava cheia e os ventos sussurravam segredos, se aproximou da poça d’água. Seu reflexo parecia distorcido, como se pertencesse a outra dimensão. Ela tocou a superfície fria e, sem hesitar, atravessou.

Do outro lado, se viu em um mundo de cores impossíveis. Árvores com folhas de fogo, rios que cantavam melodias ancestrais e criaturas que pareciam saídas de sonhos. Ela estava em um emaranhado de ilusões, onde o tempo não seguia regras e as realidades se entrelaçavam como fios de teia.

Encontrou um homem com olhos de esmeralda, que lhe disse que ali, tudo era possível. Ele a levou para uma festa no topo de uma montanha, onde as estrelas dançavam ao som de flautas invisíveis. Ela provou frutas que tinham gosto de memórias esquecidas e dançou com sombras que ganharam vida.

Mas o homem também a alertou: cada escolha tinha consequências. Cada passo no emaranhado de ilusões afetava sua realidade original. Ela se viu dividida entre dois mundos: o que conhecia e o que desejava. Podia voltar para casa, mas a que preço?

Enquanto o homem a observava, ela tomou sua decisão. Cruzaria o portal novamente, mas levaria consigo uma lembrança: a sensação de que a vida era mais do que aparências e rotinas. Que em cada esquina, em cada reflexo, havia um mundo esperando para ser descoberto.

E assim, voltou à Rua, com um brilho nos olhos e um segredo no coração. Nunca mais seria a mesma, pois agora sabia que a realidade era apenas uma camada fina, pronta para ser rasgada por aqueles que ousassem olhar além das aparências.

A cidade esquecida pelo tempo continuou a girar, enquanto ela dançava com as estrelas e cruzava emaranhados de ilusões, buscando estranhas realidades que só os sonhadores poderiam compreender.

Renato Pittas, Rio de Janeiro, RJ, é artista plástico, poeta, escritor e Livre Pensador.

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