Entrevista | Fabrizio Michelloni (Carro Bomba)

Compartilhe!

Barata Cichetto


Fabrizio Michelloni deixou a banda Carro Bomba algum tempo depois, e a última vez que o encontrei deve ter uns 8 anos, no Metrô, quando ele me disse que estava com um trabalho solo. Perdi novamente o contato, e apensa sei que ele lançou “Brizio”, em 2022. (BC, 12/03/2024)

A entrevista a seguir foi feita com o baixista do Carro Bomba, Fabrizio: Michelloni, por E-Mail, em Novembro de 2008.

Barata: Primeiramente, como surgiu a ideia da banda e de quem foi a ideia e o porquê do nome Carro Bomba?
Fabrizio: O Bomba nasceu em uma famigerada festa que rolou na minha casa no final de 2003. Fizemos uma puta Jam e logo pintaram umas datas; precisávamos de um nome e eu mandei Carro Bomba.Os caras curtiram e ficou.

Barata: Marcello Schevano foi da Patrulha do Espaço, Rogério Fernandes cantou no Golpe de Estado… Enfim, fala um pouco da trajetória dos músicos até se encontrarem e formarem a banda.
Fabrizio: Tive várias bandas de colégio durante a década de 90, sempre com o intuito de fazer som próprio, até rolar um lance legal com o Marinho Thomas (Batera do Casa das Máquinas) e o Alexandre Hard (Guita do Madgator). Fazíamos uns covers cheios de improvisos e foi bem louco. Daí pintou o Bomba.

Barata: Como define o som do Carro Bomba? “Nervoso”? Sério, o som é bem pesado, definiria como Hard Rock, Metal? Existe isso, a coisa de definição de um tipo de som, ou simplesmente a coisa acontece?
Fabrizio: Esse lance de definir o som já deu no saco! Claro que tem um direcionamento, mas se for pra rotular, diria que é um Rock Metal Peçonhento Ultra Honesto.

Barata: Qual é a formação musical dos integrantes do Carro Bomba e que tipo de som vocês escutam?
Fabrizio: Aprendi na raça e escuto muita coisa, de Robert Johnson à Sayer, passando pelos Novos Baianos, hehe…

Barata: Carro Bomba começou como um Power – Trio, mas há cerca de um ano passou a ser um quarteto com a entrada do Rogério e liberando mais o Marcello como instrumentista. O que mudou no som da banda?
Fabrizio: Não vejo como mudança, mas sim como evolução, pois a essência está ali. O barato é que essa nova fase está nos proporcionando várias possibilidades em termos de arranjos e composições…e está,acima de tudo, enriquecendo a banda como um todo.

Barata: Falando em mudanças, atualmente o Carro Bomba tem seu terceiro baterista em cerca de três anos de existência da banda. Essas trocas na cozinha não faz com que a banda perca um pouco o ritmo?
Fabrizio: Essas coisas acontecem. Quanto à sonoridade, não há nenhum risco, pois costumo dizer que baixo e batera são uma coisa só, e, além disso, fomos cautelosos nas escolhas, pegamos caras criativos e muito competentes, mas tomara que não precisemos mais sair na captura de ninguém!!!

Barata: Fabrizio é um baixista que desce o braço no instrumento. Quem são suas influências em termos de músicos. E também é uma pessoa de ideias, digamos, pouco ortodoxas. Quais são suas influências culturais? O que gosta de ler?
Fabrizio: Sempre gostei de baixistas destruidores!!!Minhas maiores influências foram Jack Bruce, Tim Bogert, John Entwistle, Geezer Butler, Cliff Burton, Steve Digiorgio, Steve Harris e vários outros. Nunca fui muito de ler, sempre preferi música e cinema. Gosto do Bukowski e também da Chiclete com Banana e do Asterix. Quanto às ideias pouco ortodoxas, sei lá, cada um é como é. Eu apenas não gosto de ver minha inteligência sendo insultada, e a cada dia isso é o que mais acontece com qualquer pessoa que tenha um pouco de sensibilidade e percepção do mundo ao seu redor.

Barata: As letras da banda são em português e bem construídas em sua maioria, fugindo da mesmice dos temas tradicionais de letras do Rock. Qual é a base cultural da banda?
Fabrizio: O lance das letras é puro feeling e honestidade. Claro que rolam influências e tal, mas além do “Controle Bomba de Qualidade” ,temos principalmente bom senso e autocrítica, o que ajuda bastante e, a meu ver, faz a diferença.

Barata: O que pensa sobre o panorama do Rock feito no Brasil atualmente, não acha que, com exceção de bandas gravando Metal e em inglês com o olho no exterior, pouca coisa tem acontecido? Acha que o Rock pesado cantado em português, do jeito que o Carro Bomba toca tem público no Brasil?
Fabrizio: Tem muita coisa boa por aí, o problema é que apesar das facilidades tecnológicas que temos hoje, ainda há uma muralha aparentemente intransponível para se atingir o “grande público”… temos fãs espalhados por todo o Brasil e até exterior, o que prova que público há; mas se você ficar pensando em fatias de mercado pode acabar comprometendo a música, pelo fato dela não fluir espontaneamente.

Barata: Tem uma música no último disco, Nervoso, que é homônima de outra, cuja letra é minha e foi gravada pela banda Tublues. Quais são as semelhanças entre A Barata: e Carro Bomba, e nossos Sangues de Barata: ?
Fabrizio: Pra ser bem direto, diria que as semelhanças é que somos todos guerreiros em prol da arte… e de sangue bem quente.

Barata: Terminando: existe pouca coisa na Internet sobre o Carro Bomba, então use o espaço de A Barata: , com Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade e cometa quantos Atentados quiser, mesmo que Nervoso. Manda bala!
Fabrizio: Rolam várias páginas nossas no Google e afins… mas o que realmente importa é som na caixa!!!Vamos prestigiar quem tá batalhando, rapaziada… Internet, Myspace, Downloads são legais e têm sua importância, mas o que realmente vale é a galera pirando nos shows… Então apareçam e enlouqueçam!!! E pra finalizar, valeu Barata: , grande brother!

03/11/2008

18/04/2007

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários