Entrevista | Barata Cichetto, Feita Por Claudia Bia, 100 Sal

Claudia Bia – Sem Sal


Ainda nos anos 1970 conheci uma publicação chamada “Cogumelo Atômico, feita por um pessoal de Brusque, SC. Comecei a trocar cartas – naquela época era assim -, com o editor, que se denominava apenas de “Luís”. Alguns anos mais tarde, ele e sua companheira, Claudia Bia, foram morar em São Paulo e então travamos uma amizade sólida. Tanto que foram eles os grandes responsáveis pela publicação do meu primeiro livro de poesia (mimeografado, porque naquela época era assim) chamado “Arquiloco”. Daí… Casei e fui perdendo contato. Até que em 2003, com meu site A Barata bombando, a Claudia me achou e fez uma entrevista comigo, publicando no seu blog, “100 Sal”. Depois perdemos o contato de novo e só fomos nos falar de novo já na segunda metade da década de 2010. Infelizmente já vivíamos a era da cisão, dos separatismos políticos, dos ódios do bem, e então nossa “convivência não foi das melhores. Mas, o que me entristeceu, e eu não sabia, é que ela estava muito doente, e faleceu logo após nosso “rompimento”. De qualquer forma, como registro, segue abaixo a “e-ntrevista”. Obrigado, Claudia Bia e Luís!
(BC, 2024)

Luiz “Barata” é amigo das antigas… Antigas mesmo! Estávamos sem contato nenhum há uns… 20 anos, uma coisa assim. Nos reencontramos agora, pela internet… Santa Internet, Batman! Também, ele criou um site (no ar desde 1997) com um conteúdo imenso, que inclui rock, literatura e muito mais, e que merece muitas visitas: A Barata tem uma multidão de acessos por dia e cerca de 200 colaboradores, é coisa! Ele é paulistano, tem 44 anos e uma longa experiência em internet, é poeta (diz que não se considera poeta, mas é sim…) e roqueiro daqueles que mantém a memória olhando também para o que acontece agora. Tem até um slogan esclarecedor: Rock é Atitude! Com ele inauguro minhas e-ntrevistas. Vamos ao que interessa:

―Existe visibilidade na internet para a cultura alternativa? Como você lida com isto no seu site?

― Visibilidade depende de vários fatores, com algum esforço a gente consegue até ficar visível. A Internet pressupõe um espaço democrático e até certo ponto é assim. É claro que existem fatores econômicos que influenciam. O problema maior que eu vejo, depois de 5 anos com um site de cultura na rede não é com relação à visibilidade, pois alcançamos uma marca interessante de quase 3.000 acessos por dia, o maior problema é fazer com que realmente as pessoas sejam participativas, isto é que usem a propalada interatividade, muito pouco usada. As pessoas ainda não entenderam isso, ainda existe a ditadura do esquema antigo da imprensa. E a Internet não é jornal, nem revista, nem rádio ou televisão. È tudo isso ao mesmo tempo.

 

― Você navega muito, descobre bandas, autores etc., pela rede?

―Na verdade não navego muito não, atualmente. As bandas e autores são quem nos enviam material. Abrimos um espaço sem censura de nenhum tipo, não existe escolha, todos indistintamente são publicados.

―Quais os seus endereços fundamentais na internet?

―Alguns endereços acesso constantemente, que são: Whiplash, o Mundo do Rock. Leio noticias no site do Terra. Inclusive alguns ótimos jornais ao vivo. Como disse não navego com muita frequencia. Uso muito a net para buscar sons em Mp3, particularmente, sons antigos de bandas de Rock Nacionais.

―Passando pra música, você que é roqueiro das antigas, abre espaço no seu coração roqueiro para bandas novas? Quais?

― Francamente, hoje a coisa é mais uma repetição do que foi feito há 20, 30 anos. Meu coração de roqueiro tem amores antigos que não troco por nada… Absolutamente não é nenhum tipo de preconceito, mas acho tudo muito sem criatividade. Quem escutou Hendrix, Page, não consegue achar Malmsteen um bom guitarrista, quem escutou Janis, não dá pra achar que a garota do Nightwish cante bem… E por ai vai.

―Você acha que literatura e internet fazem uma mistura quente, viva? Como imagina que esta junção poderia ficar melhor?

― Sinceramente, não acredito na internet como uma mistura quente com a literatura, ao menos não por muitos anos, embora eu a use abundantemente para divulgar meus textos e de outros autores. A questão é que a maioria das pessoas não consegue ler, principalmente textos longos, na tela do computador. Existe a magia, o cheiro do papel, o manusear e colocar um livro debaixo do braço ou do travesseiro. É extremamente desconfortável ler no computador. De qualquer forma foi um espaço que passou a existir e é muito barato e acessível se montar uma página e publicar nossos escritos, o que a torna, senão quente, uma mistura morna. Não acredito, entretanto que a internet vai algum dia substituir os livros. Esses sim são vivos!

Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003

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