Enciclopédia Rock – Volume I – 22 – Boogie Woogie

Walter Possibom


5.5. BOOGIE-WOOGIE

O boogie-woogie é um estilo de blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano. Foi muito popular entre os negros nos anos 30 e anos 40 nos Estados Unidos, sendo geralmente tocado pelos mesmos.
As bandas em geral tinham três pianos, violões e tocavam música country e gospel em um estilo de guitarra próprio.
Os grandes nomes do estilo são Memphis Slim, Pete Johnson, Albert Ammons, Little Richard e Meade Lux Lewis que compuseram conhecidas músicas do gênero, como 6th Avenue Express, Boogie Woogie Stomp, entre outras.
Musicalmente falando, o Boogie-Woogie é um percursivo estilo de tocar blues no piano caracterizado por ritmo forte com variação do baixo com oito notas em tempo quaternário e solo improvisados.
Esse termo pode ser encontrado em:

• Big Bill Broonzy – Joe Turner Blues e Joe Turner No 2 (Blues de 1892);
• Little Walter – Tell Me Mama;
• Omar & The Howlers – Booger Boy.

Memphis Slim

5.6. OS ANOS 60 E O BLUES BRITÂNICO

Um dos momentos mais marcantes do blues foi a apresentação de Muddy Waters em Londres no início dos anos 50. Foi um marco, pois dali em diante o blues ganharia renome internacional e influenciaria o surgimento de novas vertentes musicais, especialmente o rock n’ roll. Logicamente Chuck Berry é indiscutível como iniciador do modelo rock, porém sua origem é absoluta no blues, ainda mais na música de Waters. Mas foi o reconhecimento do blues na Inglaterra nos anos 50 que alavancaria o nascimento de uma revolução na história da música ocidental. E foi da fusão do blues, com essa nova vertente, o rock, que nasceria o gênero que marcaria em essência toda a nova geração de músicos que surgia no cenário mundial. Era o blues-rock. Bandas como Beatles, Rolling Stones, Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues elétrico de Chicago. Talvez o grupo de maior importância no recém surgido cenário blues britânico tenha sido John Mayall and the Bluesbreakers, que além de ter grande influência no crescimento do blues dentro do país, foi a banda-alçapão de músicos que viriam a se tornar importantíssimos nesse cenário musical em ascensão, como Eric Clapton, que posteriormente viria a formar o Cream, Peter Green que sairia do grupo para ser líder e compositor do Fleetwood Mac, e Mick Taylor, que seria requisitado como guitarrista dos Rolling Stones. E, com o reconhecimento mundial desses músicos, os nomes clássicos do folk-blues americano como Robert Johnson, Son House, Muddy Waters, Howlin’ Wolf e B.B. King passaram a ser referências diretas. Foi no Newport Folk festival de 1963 que o blues teve seu auge, com a apresentação de diversas figuras consagradas do estilo. Daí em diante praticamente todos os músicos dos mais diversos estilos provenientes do rock e blues regravaram clássicos antigos. O Led Zeppelin, em seu primeiro álbum gravou uma série de composições de Willie Dixon, porém incluindo como autoria própria, o que resultaria em uma batalha judicial, que obrigaria a banda a identificar Dixon como autor original.

Na América, os efeitos foram diretos, e músicos como Creedence Clearwater Revival, The Doors, Bob Dylan e Jimi Hendrix desenvolveram seus estilos próprios fundamentados nas raízes do blues.

Internamente, nomes como Albert King, Freddie King e Buddy Guy, iniciaram uma mudança na sonoridade do blues, juntando elementos típicos do rock, a guitarra distorcida e pesada, com o som tradicional, o que levaria alguns puristas a rejeitarem essa nova “moda” que contrariava o purismo tradicional da música.

Freddie King

5.7. BLUES DO DELTA

Iniciada com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, a crise econômica norte- americana se transformou na Grande Depressão nos anos 30, afetando toda a economia mundial. Com isto, as lavouras de algodão do Delta do Mississipi também entraram em uma forte crise, o que ocasionou uma verdadeira fuga dos negros dos campos, numa migração em massa rumo às grandes cidades do Norte. Chicago se tornou a terra prometida pela necessidade de mão-de-obra nas fábricas e pelas favoráveis condições ao blues.

Bob Dylan – Highway 61 Revisited

A Highway 51 e a 61 foram as principais rotas adotadas pela migração. Os trens e trilhos corriam como sangue nas veias do blues. A ferrovia não era um mero meio de transporte, era quase um veículo mágico que leva o negro a transcender a sua condição. Viagem, união e separação: o trem adquiriu no blues uma dimensão mitológica, sendo imitado por vários músicos, principalmente pelos gaitistas da época.

Highway 61

Nos anos quarenta, o coração do Blues mudou-se para a região sul de Chicago. Lá surgiram grandes nomes como Elmore James, Willie Mabon, Jimmy Rogers, Sonny Boy Williamson, Otis Spann, Willie Dixon, Muddy Waters e Howlin’ Wolf.

Otis Spann

Entre as canções mais representativas deste período podem ser destacadas Hoochie Coochie Man, Mannish Boy, Sloppy Drunk e Don’t Start Me Talkin.

Foi criado por volta de 1940/1950, amplificando o Delta Blues. Adicionou-se bateria, contra- baixo e piano (às vezes saxofone), criando o que conhecemos hoje como “blues band” (banda de blues). O estilo deu origem às batidas de rock e ao ritmo do funky music nos anos 80 e 90.

Elmore James

Walter Possibom, São Paulo, SP, é escritor e guitarrista da banda Delta Crucis e Livre Pensador.
Facebook: https://www.facebook.com/wpossibom/

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