Diário de Bordo, Data Estelar: 29 de Novembro de 2002

Compartilhe!

Barata Cichetto


Jaboticabal fica a cerca de 360 Km de “São Paulo City” e portanto saimos na manhã de sexta-feira. Novamente a rodovia Anhanguera nos esperava, com seu tapete e seus pedágios. Próximo á cidade, um problema com a embreagem fez com que o Alemão mais uma vez mostrasse seu talento como Piloto da Nave e nos levasse em segurança. Quase seis da tarde e paramos em frente ao bar, na região central da cidade, de cerca de 70.000 habitantes. O local, Otello, fica ao lado de uma praça fantásticamente linda e bem cuidada, com flores e coreto. Atravessamos a praça e vamos descarregar as malas. Para nossa surpresa o hotel é magnificamente lindo. Uma construção de 1920 que mantém a arquitetura e decoração da época, com espelho de propaganda de “Óptimos Chapéos”, assoalhos de madeira, móveis antigos e tudo mais. Hotel Municipal é o nome.

Por volta das sete da noite, descarregamos e montamos os equipamentos e instrumentos. O calor também aqui é abrasador e a casa também é uma construção bem antiga, parece-me que de 1935. Um casarão adaptado, com janelas para a rua e tudo mais. Por volta das 9 e meia da noite, Toninho, o proprietário nos oferece um delicioso jantar em uma das alas da casa. Jantamos e retornamos ao Municipal. A galera descansa e aproveito para tentar conhecer um pouco mais da cidade. Encontro com Juninho e Fabinho e as garotas de Rio Preto que vieram de lá especialmente para curtir o show. Em torno da meia noite retorno ao bar e vejo um pouco da ótima apresentação da banda de abertura “Homem Com Asas”, que é de São Carlos. Gustavo é o vocal e eles mandam muito bem vários “covers” de Led, Grand Funk, várias dos Mutantes e por ai. Tudo com muita competência. Toninho me chama de canto e diz que “o pessoal está tocando muito alto.”

Por volta da uma e pouco da madrugada a Patrulha entra no palco. O som rola por cerca de uma hora e meia, sempre com as observações do Toninho de que “o pessoal está tocando muito alto.” Gustavo, do “Homem com Asas”, dá uma canja, cantando “Rock’n’Roll” do Zeppelin, totalmente de improviso. Quando entra “Robot”, uma pequena confusão, com Toninho querendo parar o som por causa dos vizinhos e a coisa se resolve com um “set acústico”.

Desmontamos o equipamento e voltamos ao hotel. Depois de um rápido café, Alemão me chama, afinal precisa de alguém para ajudá-lo no conserto da embreagem do Azulão. Pergunto sobre o tempo que levará e ele como o Scoth de Jornada nas Estrelas multiplica seus numeros e dá uma estimativa de seis horas que sei que não passará de umas três e pouco. Feito. Menos de quatro horas depois, deixamos para trás o Hotel Municipal e Jaboticabal, com o orgulhoso Alemão ao volante e eu podre da silva e rumamos em direção á Ribeirão Preto onde acontecerá o show no sábado.

11/29/2002

Entre final de 2001 e até meados de 2004, acompanhei a banda Patrulha do Espaço, em suas turnês, como manager, e fora muitas outras atividades, como ter criado a idéia, nome e feito a arte (imitando um compacto de vinil) do disco “.ComPacto”. Durante uma boa parte desse tempo eu escrevia esses “Diário de Bordo”, que eram publicados no meu site “A Barata”. Eles 2012, eles foram reunidos num livro com tudo que escrevi sobre a banda, chamado “Patrulha do Espaço no Planeta Rock”.

Do Livro “Patrulha do Espaço no Planeta Rock“, Barata Cichetto, editor’A Barata Artesanal, 2013 – Esgotado

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários