Diário de Bordo, Data Estelar: 22 de Novembro de 2002

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Barata Cichetto


Chegamos em Catanduva no final da tarde, depois de percorrermos pouco mais de 50 quilômetros. Eu tive uma viagem um tanto ruim por conta de um par de dedos prensados na porta de ferro do Hotel em Rio Preto. Depois de descarregarmos os equipamentos, Alemão que além de motorista, mecânico e faz-tudo no Azulão, agora também alçado a condição de enfermeiro de bordo, cuida dos meus dedos. Poucos minutos e a dor desaparece.

A casa é um local em dois ambientes sendo que um é semi-aberto, mesas espalhadas. Somos recebidos por Valério, dono da casa chamada Opera Pub. Tenho uma certa satisfação adicional por estar naquela cidade, afinal foi nela que minha mãe nasceu e cresceu. Uma tipica e simples cidade do interior, também com um abrasante calor.

A molecada, Samuca, Daniel e James, montam rapidamente o equipamento, a banda passa o som e vamos jantar. Depois, um merecido banho no hotel…. Ah, o hotel: chuveiros que não funcionam, paredes rachadas, cheiro de mofo, baratas aos montes (epa, não estou falando de mim, não!) Um horror! Bem, nessa estrada árdua do Rock’N’roll, nem sempre são apart-hotéis…

Rumamos, eu e os roadies para o Opera Pub. A casa nessa hora, por volta das 11 da noite já está lotada. Muita gente, a maior parte mulheres lindíssimas. O som ambiente é que é um horror: tecno e essas pseudo-músicas. A galera chegando mais. Dou um CD da Patrulha para que o DJ toque, mas é em vão. A pseudo-música continua bombardeando nossos ouvidos. A banda de abertura se esforça para fazer seu trabalho, covers variados tocados com um violão, baixo e batera. Uma abertura extensa demais, quase duas horas.

Por volta da uma e pouco da manhã, a Patrulha entra no palco. O set list é mais ou menos o mesmo das outras apresentações mas desta vez, uma pequena surpresa: “Rock And Roll” do Led Zeppelin. Uma galera fiel agita em frente ao palco, alguns exibindo as capas de antigos vinis da banda. Circulo por entre aquela pequena multidão, tentando fotografar e filmar. O calor é absurdo, o som não é muito bom, mas a Patrulha detona seus raios de ultra-som. Uma homenagem a Tico Terpins e Walter Baillot e entra “Meus 26 Anos”. Marcelo arrasa com “Sunshine” do Arnaldo e Rodrigo manda “Homem Carbono” no teclado. Luiz Domingues, que não quer mais ser chamado de Tigueis, um “louco um pouco zen” arrasa com seu Rikenbacker, Junior detona mais uma vez a batera em “Robot” e depois de cerca de duas horas a galera presente volta a se chacolhar ao som do “tecno”… coisas da pós-modernidade-absurda dos tempos da era fernando….

Por volta de 5 da manhã estamos de novo na estrada. Mais uns duzentos e poucos quilometros em direção á Jales, quase divisa com o Mato Grosso do Sul….

11/22/2002

Entre final de 2001 e até meados de 2004, acompanhei a banda Patrulha do Espaço, em suas turnês, como manager, e fora muitas outras atividades, como ter criado a idéia, nome e feito a arte (imitando um compacto de vinil) do disco “.ComPacto”. Durante uma boa parte desse tempo eu escrevia esses “Diário de Bordo”, que eram publicados no meu site “A Barata”. Eles 2012, eles foram reunidos num livro com tudo que escrevi sobre a banda, chamado “Patrulha do Espaço no Planeta Rock”.

Do Livro “Patrulha do Espaço no Planeta Rock“, Barata Cichetto, editor’A Barata Artesanal, 2013 – Esgotado

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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