Diário de Bordo, Data Estelar: 20 de Julho de 2003

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Barata Cichetto


20 de Julho, um domingo, Centro Cultural São Paulo, um fantástico mas muito mal cuidado espaço cultural da Prefeitura de São Paulo, a Patrulha do Espaço tinha apresentação marcada. Chego em torno de 2 da tarde e a galera, Marcello, Rodrigo, Luiz Domingues e os “roadies”, Samuca, Daniel e Rodrigo se encarregam de montar o equipamento. Um piano de cauda se apresenta pomposo no palco e Marcello e Rodrigo dedilham alguns acordes. Juninho o batera, com sua barbicha de Mandarim Chinês e o pessoal da técnica se mobilizam para deixar tudo pronto.

Um pouco mais tarde, chegam Júnior e Cláudia e começam a chegar as primeiras surpresas: Dudu Chermont e, pasmem, Percy Weiss…!!! Fiquei surpreso pois sabia que ele estava morando em Natal. Júnior me apresenta o homem e começamos a falar um pouco. Não pude conter a língua e relembrei daquela apresentação da Patrulha em 79 na Tarkus, ele de Homem do Espaço. Percy está bem fisicamente e Junior chama a ele e Dudu para uma apresentação. A música combinada? Daqui a pouco eu conto.

As coisas no camarim, perto da hora do show e decido dar um rolê na entrada, checar se está tudo sobre controle. Encontro algumas figuras que estão sempre por perto quando o assunto é Patrulha do Espaço: Vladimir do jornal Ponto Final, Marcio e Cíntia, Junior, um fã que acompanha a banda em todos os lugares, Cebola, o fotógrafo que tirou uma foto minha com Junior e Cláudia nesse mesmo Centro Cultural a um ano… A fila na entrada está grande e tão logo se abrem os portões desço ao camarim.

O show vai começar e por um problema técnico do Centro Cultural – a chave do camarim quebrou na porta -, serei obrigado a apenas escutar o show de dentro dos camarins, que ficam nos fundos, quase embaixo do palco. Bem, penso, pode ser interessante, apenas escutar…. O “set list” é um pouco diferente das apresentações anteriores. Músicas do “.ComPactO”, dos discos com o Arnaldo, da fase fantástica com Percy e Dudu. Tudo ali é magia. A bola fora fica por conta de uma interferência que solta som de uma FM nos alto-falantes. Cláudia preparou uma apresentação multimidia que rola num telão.

A apresentação está chegando ao fim, mas Dudu e Percy são chamados ao palco. Nesse momento, conversava com Cláudia no camarim e saímos correndo. O camarim podia esperar… Aos primeiros acorde da música, que para mim é uma das mais lindas da banda, “Arrepiado” (“Caminhando pelas ruas da cidade…(…) Fiquei arrepiado! (…)”. fiquei arrepiado! Há mais de 20 anos não escutava o Percy ao vivo e tive a incrível sensação de ter entrado na Máquina do Tempo e ter ido parar no final dos anos 70. Só faltava Cokinho (que mora em Londres) e o Waltão que fez sua passagem a alguns anos. Mas aquilo era lindo.

Mais algumas músicas e a desesperada administradora do Centro Cultural me procura e diz que tem apenas mais cinco minutos. Dou um sinal ao Júnior e ele avisa aquela galera fantástica que o show está acabando. No final, aquela incrível vinheta onde vários trechos de músicas do Led Zeppelin são tocados e Júnior arrebenta, mais uma vez, mostrando que se John Bonham também fez sua passagem, nós temos, bem aqui, abaixo da Linha do Equador, um batera no mesmo nível.

Final do show, a galera invade os camarins. Morcegão, da Kiss, Cebola e uma infinidade de pessoas abraçam e conversam com os músicos. Nesse instante encontro alguém que eu não conhecia pessoalmente, mais por falta de oportunidade: Bento Araújo, baixista e criador e editor do fantástico Poeira Zine. Ficamos ali, de pé, eu, ele e Luiz Domingues, falando sobre, obviamente Rock e os caminhos tortos que o tem carregado. Percy diz que precisa de um conhaque. Atravesso a rua e de um boteco do outro lado trago para ele. Minutos preciosos, conversa preciosa. Nesse momento, Cebola transita com sua câmera e peço a ele que tire uma foto, para marcar aquele momento.

Minutos depois, a galera começa a deixar o Centro Cultural e depois do pessoal carregar a tralha toda para a perua do Sr. Carmelo nos despedimos. É mais uma etapa, mais um momento inesquecível. Momentos…. Mágicos momentos que apenas uma banda da qualidade e experência como a Patrulha podem oferecer.

7/20/2003

Entre final de 2001 e até meados de 2004, acompanhei a banda Patrulha do Espaço, em suas turnês, como manager, e fora muitas outras atividades, como ter criado a idéia, nome e feito a arte (imitando um compacto de vinil) do disco “.ComPacto”. Durante uma boa parte desse tempo eu escrevia esses “Diário de Bordo”, que eram publicados no meu site “A Barata”. Eles 2012, eles foram reunidos num livro com tudo que escrevi sobre a banda, chamado “Patrulha do Espaço no Planeta Rock”.

Do Livro “Patrulha do Espaço no Planeta Rock“, Barata Cichetto, editor’A Barata Artesanal, 2013 – Esgotado

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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