Diário de Bordo, Data Estelar: 14 de Novembro de 2002

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Barata Cichetto


Nossa jornada para uma mini-tour de cerca de 2000 Km á Santa Catarina começa na Quarta-feira. Desta vez não temos a presença feminina da Cláudia, mas a tripulação da Nave Ave está acrescida do outro “roadie”, Daniel, com suas tranças rasta uma barriguinha bem proeminente.
Saímos de São Paulo por volta das oito e meia da noite. Nosso primeiro destino, Lages. O Piloto Walter, o “Alemão”, do alto de sua fantástica competência, aciona os motores do “Azulão” e partimos.

Em poucos minutos atravessamos a Paulista, Rebouças, Morumbi e adentramos a BR 116. No primeiro trecho da viagem, até cerca de 3 e meia da manhã quando paramos em um posto em uma pequena cidade do Paraná para descansar, minha cabeça viaja pelo tempo, particularmente pela história do Rock Nacional. Quantos quilômetros, quanta poeira da estrada comeram… Lembro-me dos antigos shows com bandas brasileiras como a própria Patrulha, Terço, Mutantes. Shows apinhados de gente, músicas em português… mas tudo isso foi antes…. antes das bandas “cover”, até por falta de opção, dominarem a cena.. Converso com Tigueis sobre isso, recordamos esse tempo heróico e ele cunha um termo que achei do cacete, definindo esse tipo de banda: “jukebox humano” .

Depois da parada, recomeçamos nossa jornada. Alemão toca o Azulão em frente, sempre brincando, cantando. Sua calma e competência nos dão a segurança de que, apesar de qualquer problema que possa ocorrer, estaremos sempre em boas mãos. Todos dormem, menos eu, que por algo estranho motivo não consigo dormir em ônibus, não importa o tempo de viagem.

Depois de muitas outras horas de estrada e por volta das 4 da tarde da quinta-feira, chegamos á Lages, uma das maiores cidades do Oeste Catarinense. Vamos direto ao hotel e, cerca de duas horas depois estamos no Latvéria, um bar muito bom, três ambientes. Depois de umas horas, equipamento montado, passado o som, retornamos ao Hotel. O porteiro me pergunta “quem é o cara da banda que era dos Mutantes?”. Desfaço a confusão e vou pro quarto, tomo um banho e descemos pra jantar.

Por volta da meia noite estamos de volta á casa, que está completamente lotada. A galera ansiosa aguarda

“Não Tenha Medo” , música escolhida para abrir a “tour” começa e a galera pira.A bateria do Junior parece uma máquina de guerra, destruindo tudo o que vem pela frente. A clássica “Festa de Rock”, algumas música do Arnaldo, a imprescindível “Arrepiado”, que desta vez vai elétrica, mesmo. Nesta viagem foi, para a grata surpresa e piração de muita gente foram incluidos alguns clássicos do Rock, como “Footstoopin Music” do Grand Funk e um “meddley” de Led Zeppelin, onde Junior leva a galera ao delírio, claramente lembrando de John Bonham. Algumas musicas inéditas como “Homem Carbono” e “Terra de Minerais” completam o set, fechado com a pesadíssima “Robot”.

O show acaba por volta das 4 e Daniel e Samuca se empenham em desmontar o circo. Afinal dai a algumas horas estaremos levantando vôo até a próxima cidade, Concórdia, onde a Nave Ave irá novamente abri suas asas… “Quem deterá o vôo da nave que prescuta a névoa sem ser ave?”

11/14/2002

Entre final de 2001 e até meados de 2004, acompanhei a banda Patrulha do Espaço, em suas turnês, como manager, e fora muitas outras atividades, como ter criado a idéia, nome e feito a arte (imitando um compacto de vinil) do disco “.ComPacto”. Durante uma boa parte desse tempo eu escrevia esses “Diário de Bordo”, que eram publicados no meu site “A Barata”. Eles 2012, eles foram reunidos num livro com tudo que escrevi sobre a banda, chamado “Patrulha do Espaço no Planeta Rock”.

Do Livro “Patrulha do Espaço no Planeta Rock“, Barata Cichetto, editor’A Barata Artesanal, 2013 – Esgotado

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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