Arte: Barata Cichetto. Imagem de Fundo: Firefly AI

Descobrindo Pensadores Conservadores Em Um Cenário de Mídia “Woke”

Barata Cichetto

Diante do atual estágio de nossa cultura (com “c” minúsculo mesmo), onde a maior parte da mídia foi comprometida com o “wokismo”, gramscizada e estandartizada à favor das pautas “esquerdistas” (entre aspas mesmo, porque de fato é sempre: “siga o dinheiro”, o instrumento do poder. Encontrar informações sobre pensadores, escritores, autores, que historicamente sejam colocados à “direita”, ou sejam identificados com o “conservadorismo” (ah, sim, eu sempre uso esses termos entre aspas, porque acredito que são apenas rótulos mal empregados e cujo sentido não se encaixa com a definição. Do mesmo jeito que “progressistas”… Esse então… Progressismo de quem?), é tarefa árdua e um tanto inglória.

Então, quando encontro algo, trato logo de ler e guardar entre meus favoritos para consultas e pesquisas posteriores, outros acabam sendo utilizados como citações ou partes integrantes do “Samizdat:”, claro que sempre com os devidos créditos e ligações.

O caso desta publicação, do blogue “Cinzas e Diamantes”, foi um caso diferente, porque o publicador fez uma listagem muito interessante, com um texto de apresentação muito bem escrito, e sem entrar na biografia dos listados, o que poderia ser algo um tanto enfadonho. O que fiz, então, foram apenas algumas pequenas correções e adaptações na dia lista, padronizando a formatação dos estados de nascimento, e acrescentado as cidades e estados onde faleceram, que não apareceriam no original. As fotos foram as mesmas, apenas formatadas para se encaixarem no padrão gráfico do Agulha.

Todos os direitos autorais do autor da postagem, Antonio Nahud, são de seu proprietário, ao qual parabenizo publicamente pela publicação. (O link original está no final desta publicação)

Barata Cichetto, 08/07/2024

(Cinzas e Diamantes) O Elogio Conservador: 21 Escritores

“Quem não lê, não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo.”
— Paulo Francis

“Após décadas de doutrinamento de esquerda, ser de direita já não provoca constrangimento. Não significa ser socialmente insensível e reacionário. Nem sequer indica conservadorismo dos costumes. Já não é um sinal de inferioridade intelectual, nem de indiferença à injustiça ou ideologia das classes altas. E tudo isso é novo. Afinal, a esquerda tem sido invasora nos meios de comunicação e na cultura. Para nem falar da política, onde os partidos mais à direita se dizem centristas. Durante muito tempo, ser de direita era quase um crime. Para muitos, algo inconfessável. Felizmente, as redes sociais democratizaram o debate. A blogosfera e os canais no YouTube tornaram possível aos cronistas de direita ocuparem lugares que eram monopolizados pelos de esquerda. Agora não há filtros; qualquer um pode expressar-se e conquistar audiências.

Mas afinal, o que é realmente o conservadorismo? É um pensamento político que defende a manutenção das instituições sociais tradicionais – como a família, a comunidade local e a religião –, além dos usos, costumes e tradições. Enfatiza a continuidade e a estabilidade das instituições, opondo-se a movimentos revolucionários e ao politicamente correto. O conservador pensa na política como um meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade.

O assunto, depois de anos de silêncio, vem circulando em inúmeros livros. Além dos livros editados, ou reeditados, uma série de analistas de direita está ocupando espaço na internet. Tudo começou com os blogs, depois com uma série de cronistas que se instalaram nos meios de comunicação tradicionais, publicam livros, fazem conferências e comentam em seus canais. Olavo de Carvalho, Bernardo Küster, Flávio Morgenstern e Luiz Felipe Pondé são nomes que, nos últimos anos, ascenderam a um estatuto de estrelato até então reservado aos intelectuais de esquerda.

Figuras das gerações anteriores, como Paulo Francis e Roberto Campos, ganharam mais exposição mediática. Jornalistas e cronistas de direita criaram blogs, alguns populares, e surgiu um jornal online com tendência assumidamente de direita, o “Brasil Sem Medo”. A cultura de direita está finalmente ocupando o seu espaço. Os novos gurus expõem as suas teorias e comentam a realidade como só era costume brotar da escrita de esquerda. E têm muitos seguidores.

O Brasil sempre contou com grandes intelectuais conservadores. Entre eles, o polêmico Paulo Francis, famoso pela língua afiada, que anunciou sua mudança para a direita após o final do regime militar. Outro nome importante, o professor Wilson Martins, brilhou em seu papel de crítico literário. O consagrado Machado de Assis também era conservador, embora sua obra literária não seja engajada, tratando dos sentimentos humanos. Um dos maiores estudiosos da cultura brasileira, o potiguar Câmara Cascudo, autor de trabalhos como “O Dicionário do Folclore Brasileiro”, foi coordenador do movimento integralista no Nordeste, mantendo-se próximo do “Tradição, Família e Propriedade” e de militares pós-1964.

Certamente o conservador mais amado – e citado – do Brasil, Nelson Rodrigues, nunca se envergonhou desse status. Ao contrário, fez de sua ideologia sua marca registrada, com frases e tiradas espirituosas que ainda hoje são repetidas. Era, acima de tudo, um provocador: “Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta”. Não perdia uma chance de atacar o feminismo: “As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado”. Profundo observador da alma humana, investia contra o comunismo incansavelmente: “Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes ‘É proibido proibir’ e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais”.

Com tantos escritores conservadores resgatados, pode ser difícil saber quem ler. Esta lista abaixo oferece uma mistura de escritores brasileiros com diferentes estilos de escrita. Cada um deles escreveu sobre questões importantes, incluindo economia e mercado livre, política externa e nacional, ficção, ensaios literários e poesia. Sinta-se livre para viajar na obra deles.”

21 Escritores Brasileiros Conservadores

01 – Adonias Filho
(Itajuípe, BA. 1915 – Ilhéus, BA. 1990)

Três Obras:
• Servos da Morte (1946)
• Corpo Vivo (1962)
• As Velhas (1975)

02 – Alceu Amoroso Lima
(Petrópolis, Rio de Janeiro. 1893 – Petrópolis, RJ. 1983)

Três Obras:
• Meditações Sobre o Mundo Interior (1953)
• Os Direitos do Homem e o Homem Sem Direitos (1975)
• Tudo é Mistério (1983)

03 – Augusto Frederico Schmidt
(Rio de Janeiro, RJ. 1906 – Rio de Janeiro, RJ. 1965)

Três Obras:
• Canto do Brasileiro (1928)
• Pássaro Cego (1930)
• Estrela Solitária (1940)

04 – Bruno Tolentino
(Rio de Janeiro, RJ. 1940 – São Paulo, SP. 2007)

Três Obras:
• Os Deuses de Hoje (1995)
• A Balada do Cárcere (1996)
• O Mundo Como Ideia (2002)

05 – Cornélio Penna
(Petrópolis, RJ. 1896 – Petrópolis, RJ. 1958)

Três Obras:
• Fronteira (1935)
• Repouso (1948)
• A Menina Morta (1954)

06 – Gerardo Mello Mourão
(Ipueiras, CE. 1917 – Humaitá, RJ. 2007)

Três Obras:
• O País dos Mourões (1963)
• Os Peãs (1982)
• O Sagrado e o Profano (2002)

07 – Gilberto Freyre
(Recife, PE. 1900 – Recife, PE. 1987)

Três Obras:
• Casa-Grande & Senzala (1933)
• Sobrados e Mucambos (1936)
• Interpretação do Brasil (1947)

08 – Gustavo Corção
(Rio de Janeiro, RJ. 1896 – Rio de Janeiro, RJ. 1978)

Três Obras:
• Claro Escuro (1958)
• Patriotismo e Nacionalismo (1960)
• O Século do Nada (1973)

09 – Jorge de Lima
(União dos Palmares, Alagoas. 1893 – Rio de Janeiro, RJ. 1953)

Três Obras:
• Tempo e Eternidade (1935)
• Poemas Negros (1947)
• Invenção de Orfeu (1952)

10 – José Guilherme Merquior
(Rio de Janeiro, RJ. 1941 – Rio de Janeiro, RJ. 1991)

Três Obras:
• Razão do Poema (1965)
• De Anchieta a Euclides (1977)
• O Marxismo Ocidental (1987)

11 – Josué Montello
(São Luís, Maranhão. 1917 – Rio de Janeiro, RJ. 2006)

Três Obras:
• Os Tambores de São Luís (1965)
• Duas Vezes Perdida (1966)
• Perto da Meia-noite (1985)

12 – Luís da Câmara Cascudo
(Natal, RN. 1898 – Natal, RN. 1986)

Três Obras:
• Vaqueiros e Cantadores (1939)
• Dicionário do Folclore Brasileiro (1954)
• Flor dos Romances Trágicos (1966)

13 – Machado de Assis
(Rio de Janeiro, RJ. 1839 – Rio de Janeiro, RJ. 1908)

Três Obras:
• Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
• Quincas Borba (1891)
• Dom Casmurro (1899)

14 – Manuel Bandeira
(Recife, PE. 1886 – Rio de Janeiro, RJ. 1968)

Três Obras:
• A Cinza das Horas (1917)
• Libertinagem (1930)
• Estrela da Vida Inteira (1968)

15 – Nelson Rodrigues
(Recife, PE. 1912 – Rio de Janeiro, RJ.1980)

Três Obras:
• Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores (1959)
• O Óbvio Ululante: Primeiras Confissões (1968)
• O Reacionário: Memórias e Confissões (1977)

16 – Octávio de Faria
(Rio de Janeiro, RJ. 1908 – Rio de Janeiro, RJ. 1980)

Três Obras:
• Desordem no Mundo Moderno (1930)
• Maquiavel e o Brasil (1931)
• Três Novelas da Masmorra (1968)

17 – Olavo de Carvalho
(Campinas, SP. 1947 – Richmond, Virgínia, EUA. 2022)

Três Obras:
• O Jardim das Aflições: de Epicuro à Ressurreição de César – Ensaio sobre o Materialismo e a Religião Civil (1995)
• O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras (1996)
• O Mínimo que Você Precisa Saber para não Ser um Idiota (2013)

18 – Otto Maria Carpeaux
(Viena, Áustria. 1900 – Rio de Janeiro, RJ. 1978)

Três Obras:
• Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira (1951)
• História da Literatura Ocidental (1959-1966)
• O Brasil no Espelho do Mundo (1965)

19 – Paulo Francis
(Rio de Janeiro, RJ. 1930 – Nova Iorque, Nova York, EUA. 1997)

Três Obras:
• Cabeça de Papel (1977)
• O Afeto que se Encerra (1980)
• Trinta Anos Esta Noite – 1964: O Que Vi e Vivi (1994)

20 – Roberto Campos
(Cuiabá, Mt. 1917 – Rio de Janeiro, RJ. 2001)

Três Obras:
• Ensaios Contra a Maré (1969)
• Ensaios Imprudentes (1987)
• Guia para os Perplexos (1988)

21 – Wilson Martins
(São Paulo, SP. 1921 – Curitiba, PR. 2010)

Três Obras:
• A Crítica Literária no Brasil (1952)
• A Ideia Modernista (1965)
• História da Inteligência Brasileira (1976-79)

Originalmente Publicado em 29/06/2020 no Blog Cinzas e Diamantes:
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2020/06/o-elogio-conservador-21-escritores.html

Escrito e Publicado em: 08/07/2024

Livros de Autores Conservadores

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e co-fundador da Editora Poetura. Um Livre Pensador.
Contato: (16) 99248-0091

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Dinho Ferrarezi
Dinho Ferrarezi
08/07/2024 13:24

Essas listas sempre ajudam muito a direcionar ou intensificar o acervo de pensadores ilustres, eles já cantavam a pedra do males do “wokismo” há tempos, ainda que o termo não fosse popular. Aproveito a oportunidade para deixar uma dica muito boa de leitura, o livro “Corrupção da Linguagem, Corrupção do Caráter: Como o ativismo woke está corrompendo o Ocidente”, escrito por Nine Borges e Patrícia Silva, e trata-se de um manifesto sobre a cultura do cancelamento e o advento do woke.

Barata Cichetto
Administrador
Responder a  Dinho Ferrarezi
08/07/2024 13:48

Exatamente. E note que todos os aqui citados estão mortos, mas seus pensamentos e ideias permanecem. Cabe a nós propagá-los. Grato pela sugestão do livro. Vou procurar.

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