Porra Total - Arte by Barata

Da Minha Janela Vejo Tudo (Comentários de Um Cancelado Semi-Enclausurado) #2

Compartilhe!

Genecy Souza


Desde abril de 2020, eu e milhões de pessoas no Brasil e em muitos outros países foram, total ou parcialmente, enclausurados em casa, obrigados ao uso de uma máscara de pano, TNT e outros materiais para poder andar nas ruas, nas praias, nos ônibus e trens lotados. Enquanto a tétrica novela cujo personagem é um vírus exportado pela China não chega a um final ao menos decente, fico a observar, através da minha janela virtual, um mundo cada vez mais tragicômico, com fortes pitadas de pastelão politicamente correto, fanfarronices de “cientistas”, celebridades esnobes, influenciadores digitais elevados à categoria de superstars, manipuladores do medo coletivo em proveito próprio ou de entidades e organismos obscurantistas, prefeitos e governadores testando seus instintos ditatoriais, um senador pego com dinheiro enfiado na bunda cagada, dinheiro público aplicado na compra superfaturada de produtos e equipamentos para combate ao vírus chinês. Enfim, enquanto as máscaras caem pouco a pouco, e a desobediência civil ao medo imposto fica cada vez mais evidente, observo tudo e comento alguma coisa aqui.

O comediante sem graça que caiu em desgraça e a calabresa que não quis ser ‘comida’.

Admito: tenho certa dificuldade para rir de qualquer comédia. São necessários, além do carisma do humorista, texto e timing, senão a piada não funciona, o que acaba frustrando o espectador. Piadistas de stand up comedy conhecem bem a mecânica da coisa. Há quem acredite que basta uma dúzia de palavrões para a piada produzir sonoras gargalhadas, mas não é bem assim que funciona.

No entanto, a piada (de mau gosto) do momento não foi bolada, tampouco escrita e roteirizada. Ela aconteceu a partir de uma denúncia de assédio sexual contra o humorista Marcius Melhem, apresentada por sua colega, também humorista, Dani Calabresa a respeito de incidentes que começaram a acontecer em 2017.

O humorista ocupava o cobiçado cargo de chefe do Departamento de Humor da TV Globo, ganhando prestígio após reformular o antigo humorístico Zorra Total, ao banir piadas consideradas agressivas às mulheres, homossexuais, negros, etc. A nova atração passou a se chamar apenas Zorra, cujo humor agora vinha embalado em uma linguagem politicamente correta, sintonizada com os novos tempos. Em outras palavras, o Zorra passou a praticar o que muitos tacham de ‘humor de esquerda’. Seguindo essa pegada, o programa foi um sucesso. Em setembro de 2017, Melhem organizou uma festa para comemorar o centésimo episódio do Zorra. Entre os convidados estava Dani Calabresa. Foi aí o embrião do escândalo relatado em uma longa matéria na edição no. 171, de dezembro de 2020, da revista Piauí.

Onde está a piada, afinal?

Na qualidade de chefe, Marcius Melhem tinha poder e liberdade de ação, dessa forma, seus subalternos lhe deviam obediência, favores, deferência e gratidão. Por sua vez, o ex-Cara de Pau estava ciente desse poder, de tal maneira que poderia usá-lo em proveito próprio. Esse proveito se dava na forma de instintos sexuais, e seu alvo preferencial era sua colega Dani Calabresa, a qual passou a ser vítima de suas investidas, verbais e físicas, com direito, entre outras coisas, a encarar o pau duro do chefe.

A revista Piauí colheu o relato de 43 pessoas, entre elas, duas vítimas de assédio sexual, sete de assédio moral, e três de assédio sexual e moral. A grande maioria optou por fazer as declarações sob a condição de anonimato, obviamente temendo represálias, seja do chefe ou da empresa. Não suportando mais os ataques, Calabresa levou o caso ao conhecimento do compliance da empresa, mas, ao que consta, sem obter a atenção devida.

Neste momento, o caso ganhou dimensões nacionais, sendo um dos assuntos mais comentados. Entra em campo a indignação seletiva de grupos identitários habituados a frases de efeito, do tipo “Mexeu com uma, mexeu com todas”, que até agora não deram o ar da graça. Esses grupos estão sendo cobrados, sobretudo por seus alvos prediletos: aqueles que não rezam por suas cartilhas. Um das suspeitas por essas ausências reside no fato de Marcius Melhem posar de defensor de causas progressistas, o que, suspeita-se, lhe dá certa ‘imunidade’. Vai saber.

Marcius Melhem deixou a Globo em Março deste ano, respaldado por um comunicado da emissora informando que a saída do agora ex-chefe do Departamento de Humor estava se desligando por “motivos pessoais”. Na nota, nem sinal da expressão “assédio moral”. Na programação da emissora, silêncio total. José Mayer não teve a mesma sorte, o seu caso de assédio sexual foi noticiado nos programas da emissora. O ex-galã hoje vive no ostracismo.

O ex-Cara de Pau, sua ex-empregadora e a patota politicamente correta, são agora personagens de uma comédia sem graça que ainda vai revelar grandes surpresas. Plim-plim!

07/12/2020

Atenção: este texto reflete apenas o meu ponto de vista sobre o fato, não significando que eu esteja com a razão. Contudo, você é livre para manifestar para manifestar sua concordância ou discordância, desde que mantido o mínimo de respeito pela minha opinião.

(Texto Publicado  Originalmente no Extinto Site “BarDoPoeta, em 2020)

Genecy Souza, de Manaus, AM, é Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários