Mauro Xavier – A (in)Credibilidade da Grande Imprensa

Mauro Xavier

Há alguns meses me perguntaram se eu acreditava mais na imprensa ou em redes sociais. Depois de pensar um pouco, respondi ao meu atônito interlocutor: “nas redes sociais, sem dúvida”. Calma, não sou daqueles que acreditam em tudo o que é publicado nas redes sociais. Ainda acredito que a Terra é aproximadamente esférica, que o homem de fato foi à Lua e que se você comer manga e tomar leite em seguida provavelmente não vai passar mal (a menos, claro, que você coma uma dúzia de mangas com três litros de leite).

As redes sociais são instrumentos democráticos que permitem a livre expressão, dentro de certos limites, por qualquer pessoa. Qualquer um pode emitir opiniões a favor ou contra o governo, as vacinas, a paralisação do campeonato, o lockdown ou até o uso de uvas-passas nos pratos natalinos. Apesar de alguns atos recentes de censura dos donos das redes, arranhando suas credibilidades, as pessoas ainda podem emitir opiniões que serão lidas por seu círculo de amizades.

 

Por isso mesmo, a proliferação das famosas “fake news” vem crescendo com o tempo. No caso da política, com a polarização crescente, pessoas inventam notícias normalmente para denegrir o lado oposto. Os amigos dessas pessoas que compartilham da mesma opinião, simplesmente repassam a notícia sem ao menos questionar se podem ser falsas, fazendo com que a mentira seja propagada em progressão geométrica.

 

É exatamente neste ponto que o receptor de uma informação deve adotar uma postura crítica. Pessoas, mesmo aquelas com (teoricamente) bom nível de informação,recebem e repassam essas informações, notavelmente quando vão ao encontro de suas convicções. Outro dia uma pessoa com tendências esquerdistas veio me dizer que o Bolsonaro ia acabar com o SUS. Quando eu perguntei onde ele tinha lido a notícia ele falou “estão falando por aí”, evidentemente algum outro esquerdista estava repassando a informação.

 

Algumas perguntas devem ser feitas a cada informação recebida. “A informação faz sentido?”. “Foi noticiada em algum outro lugar?”. “As consequências da notícia, caso seja verdade, podem ser confirmadas?”.

Vamos pegar o exemplo da notícia divulgada pelo nosso amigo esquerdista. A informação faz sentido? Claro que não, só se o presidente fosse totalmente maluco para tomar uma atitude dessas, um tiro de canhão no pé. Foi noticiada em outro lugar? Tirando os sites ligados a entidades esquerdistas, não. As consequências da notícia podem ser confirmadas? Como não houve uma megamanifestação na frente do Palácio do Planalto, não.

 

Essa informação veio do nada? Provavelmente veio quando da notícia que o presidente queria entregar a construção e operação de novas unidades do SUS para a iniciativa privada, visando o aumento da rede de atendimento. Com um pouco de malícia e ginástica literária, a notícia é transformada em “fim do SUS”, causando o efeito desejado.

Bom, então vamos deixar as notícias com os profissionais, certo? Infelizmente a resposta é não. De fato, a imprensa costuma divulgar verdades, mas só aquelas que interessam. Como dizia um antigo comercial da Folha de S. Paulo, “é possível dizer mentiras falando só verdades”. Ironicamente esse veículo é um dos que mais adotam esse expediente.

 

Um exemplo é colocar um holofote na disparada do dólar, mas não dar destaque para a surpreendente criação de trabalhos com carteira assinada acima das expectativas, ambos os eventos sendo causados pela baixa na taxa Selic durante esse período.

 

Ou então uma conhecida emissora fazer uma campanha massiva do “fique em casa”, ajudando a ditar o que é “atividade essencial”, enquanto transmite partidas de futebol e Big Brother Brasil, eventos que requerem que um grande número de funcionários (narradores, comentaristas, apresentadores, câmeras, equipes técnicas, maquiadores, faxineiros, etc.) saiam de casa. Será que essas atividades passaram a ser essenciais?

 

Aliás, eu gostaria de saber como se convence um morador de uma cidade turística de que o turismo não é uma “atividade essencial”.

 

As Organizações Globo, que detêm o poder de influenciar a opinião de grande parte dos brasileiros tem a ferramenta “Fato ou Fake” no portal de notícias G1, supostamente para dirimir dúvidas dos internautas que se deparam com informações das redes sociais. Mais uma vez, somente as notícias falsas que interessam passam pelo crivo da ferramenta. Informações repetidas milhares de vezes todos os dias, como a de que “Bolsonaro é fascista”, são ignoradas pelo portal, mesmo que o apoio ao fascismo seja ilegal no Brasil. Caso essa afirmação fosse verdadeira, o capitão já teria sofrido o impeachment (aliás, com toda justiça) com amplo apoio da emissora da família Marinho.

 

A imprensa idealmente deveria simplesmente noticiar os fatos, por todos os ângulos, deixando a conclusão para o leitor. Infelizmente, na prática a imprensa influencia os leitores, mostrando apenas as verdades manufaturadas por ela, com o objetivo de criar uma massa bovina que a seguirá cegamente suas opiniões, com objetivos normalmente escusos. Com essa massa formada, as opiniões em contrário soam como heresias, afinal se eu achar que o “fique em casa” não funciona serei acusado de “genocida”.

 

Voltando ao início do texto, ainda prefiro receber informações das redes sociais e lapidá-las a recebê-las diretamente da imprensa tendenciosa e aceitá-las como verdade. Pelo menos tenho acesso a todos os lados, não apenas ao que querem me mostrar. Fazendo uma analogia, para se conhecer uma cidade é necessário se locomover por todas suas regiões, belas e feias, ricas e pobres e formar uma opinião, não ser levado por guias turísticos que mostram apenas as regiões que fazem parte do “script”.

 

Ler e ouvir notícias apenas dos meios de comunicação “mainstream” não é se informar. É ser doutrinado.

Mauro Xavier. Paulistano, engenheiro, politicamente conservador e adepto do liberalismo na economia. Apesar de todas as evidências em contrário, ainda acredito e luto pelo nosso Brasil.

 

 
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2 Comentários
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Anderson Melo

Excelente texto, Maurão! Eu tenho adotado a mesma postura. Parabéns e muito sucesso!

Áureo Alessandri

Belíssima estréia, Maurão

Denunciar a imprensa marrom é, sem dúvida nenhuma, vital para entender de queblado do jogo político eles estão.

Parabéns e porrada neles !

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