Crônica – Barata Cichetto – Marreta

Barata Cichetto

 

Barata não é flor que se cheire, nem flor do mal, nem flor astral. É espinho que te espeta, verme que passeia na Lua cheia, vinho que tonteia, fogo que te incendeia, vento que te despenteia. Barata não se cheira, não tem eira nem beira, e na tua esteira, te faz sonhar. Barata não é Baudelaire, nem Bukowski, nem outro qualquer. O que te faz arder, que sopra tua ferida, e te chama de querida. Barata não é poeta, nem profeta, santo ou demônio. É o que transforma em pó as paredes onde relógios invisíveis marcam a hora de morrer, que ergue o pau e mostra a cobra; que se ergue do mal, e que cobra a conta, com juros e correção, e, correção, mostra o mal e ergue a cobra. Barata não é sobra, nem resto, nem inseto, nem abjeto. Barata é o que te desperta, na hora certa de acordar, a hora de sonhar. Barata não é soco, é poesia, não é troco nem hipocrisia. Barata não é pedra, nem sapato, nem martelo nem foice. Barata é marreta, no teu muro. E, juro, Barata é tudo o que acreditar ser. Mesmo não sendo nada.

16/12/2019

 
Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Assinar
Notificar
guest


Atenção: O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais ao autor, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.

 

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Site Criado Por Barata Cichetto - (16) 99248-0091