Dinho Ferrarezi – Se Perder o Busão é Camburão

Dinho Ferrarezi

Cadê os humanistas de plantão? O imortal Belchior cantou “um antigo compositor baiano me dizia; tudo é divino tudo é maravilhoso”. Eu gostaria de ver o baiano referendado na canção reafirmar ou fazer uma nova versão da música, relatando o ambulante colocado à força no camburão pela polícia militar em Salvador. Sei que isso não acontecerá. O motivo é claro em meio a todo o obscurantismo fantasiado de medida sanitária: O coronelato da música popular brasileira (membros porta vozes da intelligentsia) não pode deixar o mínimo indicativo de concordância com o presidente da república. Afinal, como sobreviver contra o inimigo imaginário? É porque “Narciso acha feio o que não é espelho”.


As imagens que circulam na internet de um trabalhador humilde, sendo coagido e sem nenhum exagero violentado pelas forças policiais pontuais é consequência da ordem imposta pelo governador petista, Rui Costa. O Partido dos Trabalhadores prende trabalhadores, coerência a gente não vê por ali, pelo contrário, é o partido que mais assaltou o Brasil, é a sigla do roubo.


O crime do ambulante foi perder o ônibus ao retornar para casa.Repetindo: Ambulante preso por perder o ônibus.


Percebam a seriedade do estado DITATORIAL que estamos submetidos. Basta! Estamos atrasos, mas ainda há tempo, DESOBEDIÊNCIA CIVIL PACÍFICA, JÁ!


A cor da pele não importa, porém, diante de toda escalada insana e/ou mau-caráter, é urgente por coerência convocar o movimento “Vidas Negras Importam”. Ou o movimento só importa quando autorizados pelos intitulados progressistas (que nome bonitinho)? É necessário morrer para viver nos noticiários?


A verdade é que diante do escárnio ideológico, ao cerceamento das liberdades, com o toque de recolher em várias cidades: a vida agora depende, o negro agora depende. No caso em questão depende do transporte, caso contrário, o significado da palavra “importância” passa ter malabarismos linguísticos. Não é novidade, visto que já fazem até na constituição brasileira de maneira recorrente.


Preocupados com sua democracia de um lado só, os lacradores e competentes das repartições públicas, no sentido do funcionalismo público e organizações externas, em “defesa” das infinitas “minorias”, ignoram o ambulante injustamente tratado como bandido. Ora! A que projeto político, econômico e social estas milícias tranca ruas estão concretamente servindo?


Quem não se choca com a cena brutal flagrada em Salvador, e, com absoluta certeza repetida em muitos outros municípios, são os que preferem se chocar com uma infeliz declaração, deturpada ou não, pelo chefe do executivo. Seja da quarentena vip ou do curral ideológico, está tudo certo, desde que odeie o Bolsonaro. Se chamar seus eleitores de fascistas, ainda ganha um cupom de desconto.


Eu, humildemente, quando me oportunizam, enfatizo e aqui não será diferente: A classe social que não está engessada pelo pensamento hegemônico pode gostar ou detestar qualquer político, mas parem de amar o Estado. Diminuir o Estado, de forma gradativa e responsável, em todos os setores é uma pauta que não deveria desagradar a ninguém, desde que o debate esteja no campo da sensatez, visando evitar a incidência na esfera da limitação da liberdade de escolha e de decisão, chegando ao ponto de extrapolar para a orientação dos modos de vida e dos comportamentos individuais.


Em suma, estão maquiando a narrativa sobre o toque de recolher. Evitar que qualquer cidadão tenha seu direito de ir e vir, consequentemente, embora não necessariamente, envolvendo um trabalhador, sendo um ambulante ou qualquer um de nós, é um ingrediente crucial para o adoecimento da justiça social e amputação da economia.


Os países mais livres e prósperos são justamente os que contêm menor número de entraves ao desenvolvimento, com maior mobilidade social e com menores índices de pobreza e miséria.


A farra da paralisia acaba ou faremos bilhete único para lotação do camburão.

Dinho Ferrarezi, um cidadão com transtorno compulsivo pela verdade. Apegado à política, nunca ao político. Sem tempo para a imbecilidade coletiva. Defensor pleno da liberdade individual. Ilusões e sonhos guardados apenas para a arte.

 
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Lu Genez

caramba…. perfeito. Que o agulha acolha todas as vozes que tem escárnio ao que aí está. Aplausos…

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