Coronariana Nº 51

Barata Cichetto


Imaginem o tamanho de uma pandemia, se acaso uma bactéria criada nos laboratórios de Pequim, e que causasse morte instantânea fosse transmitida não por apertos de mão, beijos e abraços, mas pelo simples uso de um telefone celular.

As pessoas, histéricas, não gritariam: “fique em casa”; as pessoas, em pânico, não pediriam senão abraços quentes de verdade? O que faríamos contra tal tragédia? Decerto as empresas, chinesas e americanas, tratariam em poucos dias, de isolar o “novo vírus”, afinal isso prejudicaria toda a economia chinesa, americana mundial, ocasionando quebras monumentais.

O presidente brasileiro falaria normalmente ao telefone com o americano e diria que a solução está sendo providenciada pelo Exército Brasileiro, fabricando celulares em nosso parque industrial, mas o chamariam de maluco.

Governadores mandariam todos usar máscaras ao falar no celular (o que logo se mostraria ineficaz), depois mandaria todos irem para as ruas protestar contra o presidente, enquanto prefeitos comprariam telefones de discos a preços superfaturados por contingência da epidemia, além de se insurgirem também contra o capitalismo, mas falariam tranquilamente com políticos chineses por celulares blindados.

Chineses descobririam bem antes a cura para o vírus, mas só a venderiam ao mundo depois de venderem ao preço desejado novos modelos de celulares que não contém o vírus.

Enfim, o mundo assistiria a sua quinta guerra mundial, transmitida pelo rádio de pilhas.

29/05/2020

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

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