Coronariana Nº 47 ― A Lei da Espada

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Barata Cichetto


Tem horas que fico pensando, que poeta de bosta sou eu, que não sabe usar armas? Odeio armas de fogo, tenho pavor em pensar, até. Gosto de facas, de espadas e de canivetes. Armas de homem, armas de macho, que dependem de habilidade e destreza, de proximidade com o oponente. A arma de fogo é covarde. “Armas brancas” são dos corajosos, que olham olho no olho e enfrentam o opositor. O melhor, o mais habilidoso vence. As guerras antigas eram ganhas assim, na habilidade dos soldados, e na estratégia dos comandantes. Depois disso, as guerras passaram a ser travadas por covardes atrás de mesas e dentro de gabinetes. à distancia. Assim é nas guerras modernas, assim é na guerra da poesia. Poesias que andam armados de revólveres ― muitos com balas de festim. Covardes e cibernéticos poetas. Desde a adolescência, influenciado por avós caipiras, tenho canivetes. Nunca usei, nunca machuquei ninguém com eles, mas a mim é um símbolo da minha fortaleza. Quem quiser me ferir, será sangrado. De perto. A curta distância. Sou do tempo das séries de “capa e espada”, e de cavaleiros mascarados, Zorro, Besouro Verde e Kato, Lone Ranger. Heróis da habilidade, da destreza e da coragem de um homem contra uma sociedade falso altruísta que os considerava foras da lei. Sou um fora da lei. Não uso máscaras e nem espadas. Uso ainda a poeta, afiada, e enquanto puder lutarei conta o experimento social, que acoita o bandido e prende o mocinho da trama. Não desafiem minha lira, não fiquem à frente de minha ira. Afiada.

21/04/2020

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

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