Coronariana Nº 36 (Foda-se, Governador!)

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Barata Cichetto


Eu queria ter escrito um poema erótico, cheio de sacanagem e putaria, com palavrão e tudo que sempre fiz, mas o terror me paralisou. Me fez sentir culpado por meu desejo de putaria. Ah, eu nem queria chocar sua cria, nem queria te causar nojo. O medo te paralisou e fez seu tesão sumir? Sua vontade de foder se foi? Bateu panela e esqueceu a punheta? Bateu a cabeça e esqueceu a buceta? Fui falar de enfiar e gozar, e se não tocar não tem tesão, então foder é proibido. Morreu sua libido? Ontem o Presidente falou. O outro não deixou. Quer sexo virtual? Fala em foder daí e eu em te comer daqui. Façamos assim, já que assado é proibido por lei do Governador. Um traidor, justo hoje, sábado de Aleluia, um dia antes da Páscoa, da Ressurreição. Bater punheta pode, autoridade? Ou serei condenado por porte ilegal de tesão? Multa e prisão. Não fode, Governador. Ou lhe dou voz de prisão! Rasgou a Constituição e abraçou o ladrão. Não fode, não! Eu queria escrever um poema, de pura sacanagem, pichando no muro, mas lá é escuro, e a polícia do Governador, o que governa a dor, falou que não. Que minha mão direita não é melhor que a esquerda, mas penso que tenho duas mãos direitas. Ambas são direitas, e com as duas eu cumprimento quem for meu irmão, e dou na cara de filhosdaputa, ditadores de meia cuia.

Foda-se, Governador!

12/04/2020

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

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