Conto: Lu Genez – Entre lobos e meninas

Lu Genez

A noite acolhe os lobos e as virgens que sonham com um membro intumescido entre suas pernas. As beatas rezam o terço, as contas derramadas sobre os corpos das filhas defloradas, pedindo absolvição, enquanto o sacrilégio escorre nesse gozo quente. As lobas salivam e se molham.  A carne consumida ainda tem fome lateja quer mais.  Não há redenção diante do desejo. O pecado morto no preservativo sujo de sangue, a porra encarcerada no lixo largado na estação central.


Toda essa gente que geme baixinho e pede clemência, esconde o orgasmo no travesseiro e abafa o tesão dentro das calças.  Feras enjauladas pagando a reza.  Hipócritas de plantão, tomando café fingindo intelectualidade e rescendendo a sexo. Os lobos são carinhosos, antecipando o ciclo de ovulação da fêmea.  O prazer que me dá, me alimenta e devora e demora e rememora em mim. Garganta vagina e olhos não mentem.


Sedentas são as noites.  O breu encobre os corpos jogando-os à vastidão da boca para serem tragados, lenta e demoradamente, em todos os lugares em todos os recônditos, acentuando o gosto nas papilas, a textura da língua degustando a carne, a última gota deste líquido branco viscoso salgado como o suor da sua pele explorada pelo meu desejo.


O membro pulsante que atravessa a entranha, rasga-se na minha umidade quente, que recepciona à glande, que a engole indecente. Meu cio te cobre, espalha o cheiro do meu sexo, te marca na medida exata para que me carregue no corpo, impregnada.  Perceba-me. A fera fêmea selvagem e servil do seu prazer. Feromônios na urina da fêmea e o inchaço da sua vulva são sinais percebidos pelo macho de que ela está no cio. Meus sinais.


Nas posições invertidas te como, como o cervo servido à rainha, exposto à vontade, na bandeja, fome crua, para o banquete magistral de minha loucura. Farta-me aos ossos. Também me rendo, à liberdade de sua carne.  Leve-me Lava-me no gozo esporrado de sua luxúria, meu corpo é instrumento para ser tocado dedilhado usado ao mais simples toque ou à violência virulenta de sua paixão.


Ao insensato disfarçado de querer, monta em meu corpo. Habita minha pele de uma forma simbiótica, como se respirar pela-na minha boca fosse vital. Ao transe orgástico entrego os olhos, que nos contempla início e fim, um no outro.


Devora-me na ferida, até que me reste o êxtase. Não tenho medo da noite, não temo seu falo rijo, não tenho medo da sua fome, não temo a morte, não temo a fera, também sou lobo, selvagem animal visceral. Ao rigor do seu pênis, me submeto, fêmea.

 
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4 Comentários
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Isabeau dos Anjos

eu sei de sua escrita soberba e você cada vez mais me surpreende! magnífico!

Lu Genez

obrigada Jaqueline. bjs.

Jacqueline

Gosto da escrita crua e nua… Abraço sua história com a lânguida ternura da admiradora sedenta e voraz pelo despudor da carne tenra, quente e crua.
Adorei!!

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