Brasil Papaya – Esperanza

Compartilhe!

Barata Cichetto


Brasil Papaya não é um um caso de amor á primeira vista. Mas é um amor irresistível á primeira audição. Quando recebi das mãos do Bento Araújo (Poeira Zine) o material da banda, torci o nariz, achando meio esquisito o nome, achando um tanto mais estranho o título “Esperanza”, imaginando que era algo naquele naipe de bandas gaúchas que adoram imitar Engenheiros do Havai . Tinha saído uma matéria no próprio Poeira sobre a banda que eu ainda não tinha tido a curiosidade de ler pelos mesmos motivos. Mas… – se não houvesse esse “mas” esta resenha não estaria sendo escrita – junto com o CD tinha uma simpática carta de Renato Pimentel apresentando o trabalho e um material de divulgação muito bem redigido e impresso. Começaram a ganhar minha simpatia… Em um determinado momento, Renato fala “Imagine ACDC tocando com cavaquinho”. Ai cita as músicas e músicos: Astor Piazzolla, Rolando Castello Júnior, Arnaldo Baptista…. Punk… Thrash e … Chamamé….! Epa… tinha alguma coisa estranha ali… Muuuuito estranha! A tal carta eu li dentro do Metrô e quando cheguei em casa, coloquei o CD para rodar, até mesmo antes de assistir os vídeos”.

Antes de mais nada uma advertência: a música de “Esperanza” é instrumental, não espere portanto letras idiotas nem vocais pretensiosos. A primeira faixa “For All”, é um Choro-Rock, que tem um detalhe muito interessante: os estalidos, como se fosse executada a partir de um disco de vinil meio gasto. Aquilo ganha qualquer um…”Pé na Tábua” começa com violão e cavaquinho, num ritmo lento e vai crescendo, crescendo, até atingir o contágio do Rock and Roll. “Libertango” é… um Tango… – “Um Tango????”… É, um Tango que tem o Contrabaixo marcando em cima. Em determinado momento, entra a guitarreira toda e a coisa toma ares Rock and Roll, ou Tango and Roll. Perfeita. Emocionante. Logo em seguida “Noyé”, tem como ritmo o chamado “Chamamé”, tradicional gaúcho, e talvez por eu ser um ignorante do ritmo não mexeu muito comigo, embora perceba que a música é muito bem executa. Em compensação, “Punkbone Fighter” é o que o nome afirma, quase um Punk Rock, rápida, crua e direta, parece Megadeth e em alguns momentos a gente pode se imaginar jogando um daqueles Games tipo Doom. A sexta música começa de uma forma que qualquer pessoa que acompanha, gosta e conhece o Rock Brasileiro identifica: a bateria de Rolando Castello Júnior, o Mestre. É “Cowboy”, uma música de Arnaldo Baptista. Ai a Brasil Papaya mostra que é uma banda de Rock mesmo. E das melhores. Esperanza, a faixa-título é um colírio auditivo. Tão sincera e honesta, que parece até uma Jam Session. Agora,“Kichute”, não é bem o que o nome sugere, é bem mais, é uma porrada!. Algo pra arrancar a gente da cadeira e sair batendo cabeça. (Deixa eu terminar esta resenha que é isso mesmo que eu vou fazer). O solo de guitarra é totalmente chapante.. Foi gravada ao vivo, o que dá um componente “emotivo” a mais.

A próxima…. Ops, não tem a próxima? Acabou? Porra,meu, puta sacanagem, um disco destes e já acabou? Caraca, não dava pra colocar mais umas cinqüenta faixas? Mas não sendo assim, vou ter que escutar “Esperanza” umas cinqüenta vezes ainda.

Uma coisa que me chamou a atenção ainda no material de divulgação, é a frase: “A meta do Brasil Papaya em ”Esperanza” é fazer um auto-retrato de modo natural, evitando ao máximo as edições digitais, triggers e artifícios eletrônicos durante as gravações e mixagens. O que se ouve nas oito faixas é a musicalidade das variações humanas.” Bingo!

Em tempo: “Esperanza” é um Enhanced CD, isto é, mistura áudio e multimídia, com 3 vídeos, comentários sobre as músicas e discografia. Um trabalho de primeira não apenas pelo conteúdo musical, mas com profissionalismo e qualidade representado em cada detalhe do CD, encarte, Slipcase, material de divulgação. É realmente impressionante saber que uma banda com a qualidade de Brasil Papaya, tem mais de 10 anos de existência seja desconhecida do público. Pense nisso quando for comprar seu próximo CD de Rock.

Brasil Papaya – Esperanza
2006
1. “For All”
2. “Pé na Tábua”
3. “Libertango” (Astor Piazzolla)
4. “Noyé”
5. “Punkbone Fighter”
6. “The Cowboy” (Arnaldo Dias Baptista)
7. “Esperanza”
8. “Kichute” (Ao Vivo)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários