Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 37

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Barata Cichetto


Desde que assistira Tommy em 1976, que alimentava o desejo de um dia escrever uma Opera Rock. Não sou musico, portanto não poderia escrever a musica. Mas podia, à exemplo dos antigos poetas, compor o libreto, criar a história inteira e indicar como seria a música. No inverno de 2010, minha esposa disse que gostaria de assistir Tommy. Peguei o filme e fomos assistir. Num determinado ponto, ainda no inicio do filme, quando do nascimento de Tommy no primeiro dia da vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial, eu comentei com ela: “Ah, devia ser uma menina e o nome deveria ser Victoria…”. Aquilo caiu como uma bomba e no outro dia eu tinha o enredo geral, quem seria Vitória, o nome completo da obra e todas as linhas gerais. Comecei a escrever freneticamente e quando estava terminando os 33 cantos que formam a história, travei um contato com Amyr Cantusio Jr., cujo trabalho eu conhecia desde os anos 1970, por intermédio de uma banda de Rock Progressivo. Amyr é psicoterapeuta, musico, compositor, escritor, filósofo e tem um currículo artístico iniciado com uma formação clássica. Era perfeito. Ele era a pessoa certa, pensei. Contei a ele sobre meu projeto e ele ficou animado. Assim que terminei de criar e escrever, registrei o texto, como sempre faço antes de tornar publico meus trabalhos, na Biblioteca Nacional e lhe remeti o texto. Amyr ficou extremamente impressionado e começou a trabalhar, inclusive arregimentando outros músicos e bandas para participar. E em poucos meses estávamos com o trabalho pronto. Em realidade, “Vitória” foi concebida não para estar dentro de um CD, com algumas músicas, mas ser um musical de teatro ou até mesmo um filme. Tenho todas as imagens e cenas dentro da minha cabeça, mas como a obra além de ser um projeto caro, de um autor que não é parte das “panelas” de teatro e TV, provavelmente jamais será encenada da forma que eu a concebi. Ademais, os temais centrais da Opera criticam inúmeras instituições, particularmente as igrejas e religiões. E dificilmente alguém de renome colocaria sua carreira em jogo para encarar um projeto desse, sabendo-se do atual poder que particularmente as seitas evangélicas exercem no Brasil. Vitória permanece à espera de alguém com coragem suficiente e dinheiro o bastante para fazê-la viver, na plenitude dos palcos de teatro ou telas de cinema, que é seu destino natural. O destino de Vitória é a Glória… Por enquanto, está dormindo empoeirada na minha estante.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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