Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 34

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Barata Cichetto


“Não posso ser maior do que sonho/nem maior que o pesadelo”. Esse é um trecho de uma poesia minha, chamada “Sangue de Barata”, que conforme contei umas páginas atrás, fora musicado por uma banda do interior de São Paulo. Umas pessoas ligadas a uma revista de Rock decidiram criar um Festival Virtual, o “Rock na Net” e eu, claro, coloquei A Barata dentro da jogada, divulgando maciçamente, sem ainda saber que a tal banda estaria participando. Pouco tempo antes da audição das semifinalistas foi que fiquei sabendo e isso só aumentou meu empenho em participar. A final aconteceria em uma sexta e um sábado. Na sexta a tal banda iria tocar e fui pra lá. Uma porrada de gente conhecida do Rock estava lá, incluindo Percy Weiss que estaria também participando. Na chegada ele me cumprimentou e profetizou: “Essa musica é muito boa. Vocês já ganharam!”. Tinha gente muito boa participando, bandas do Brasil inteiro. E assim rolou a apresentação de “Sangue de Barata”. A banda precisava voltar à sua cidade e o resultado sairia no outro dia. Perguntei ao organizador se eu poderia representar, inclusive pelo fato de ser coautor. Ele concordou e no dia seguinte lá estava eu. Um detalhe: confundi o horário e quando percebi o engano sai correndo, atropelando passageiros no Metrô e tudo mais. Cheguei, subi correndo e ao entrar no teatro onde acontecia escutei: “Parabéns então à segunda colocada. E agora, a vencedora “‘Sangue de Barata'”. Sai correndo, subi no palco, minhas pernas tremiam, eu não conseguia falar. Uma emoção sem precedentes, indescritível. Liguei ao meu parceiro e ele nem acreditou, achou que era brincadeira minha. Dias depois, no CCSP encontrei com o organizador que confessou: “Tinha muitas bandas boas, musicas excelentes, mas o critério final, o desempate, foi em função da letra.” Claro que senti um grande orgulho com essa afirmação. Cerca de um mês depois, retornamos ao local para a gravação do que seria prêmio: um DVD. Depois de um bate boca inflamado entre o cantor da banda e o operador de som, a gravação finalmente aconteceu, com a participação de Percy e Oswaldo Vecchione do Made. No momento de tocar “Sangue de Barata” fui chamado, ou melhor, empurrado, ao palco. Nem preciso contar sobre a emoção que senti. Agitei, cantei, pulei, participei até do coro no refrão. Uma sensação que eu nunca tinha sentido.

Naquele dia, ao retornar da premiação do Festival Rock na Net, a única coisa que queria era ter alguém para compartilhar. Olhava para aquele troféu dentro do Metrô pensando: “Porra, mas que graça tem, tem um momento de glória e ninguém para compartilhar..” Dias depois o prêmio foi mandado para o interior e nem aquilo eu podia mais admirar. Foi quando apareceu, por intermédio do Orkut, uma pessoa que seria, três ou quatro meses depois, minha quarta esposa. Nosso primeiro encontro foi no Café Aurora, na 13 de Maio, durante a apresentação da banda “Big Balls”, de Xando Zupo, que tinha o antigo amigo Abdalla no vocal. Quando entrei, ele me saudou para o bar inteiro. E ainda naquele Natal, fomos morar juntos. Achei que tinha encontrado alguém para compartilhar. Mas aquele casamento foi um tremendo erro para as duas partes e não tardou a começarem os problemas. Mas, como diz a música do Made In Brazil, “Deus Salva e o Rock Alivia”. E o alivio vinha sob a forma de vários sábados que passamos no “Dylan Rock Bar”, no Tatuapé, onde curtíamos um ambiente muito tranquilo e bandas ao vivo, como a Mizzy Trio, de Diogo Oliveira e Marcião Gonçalves, que era quase que a banda da casa.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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