Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 30

Compartilhe!

Barata Cichetto


Em 2004 eu era um condenado á morte numa sentença sem recurso. Meu casamento tinha acabado, meus projetos como produtor de eventos tinham fracassado, quase não tinha trabalho. Me sentia um doente terminal. Então, exatamente no dia do meu 46º aniversário conheci uma garota 20 anos mais jovem. Aquele dia tinha sido um dos piores, e eu só tinha um desejo na cabeça: morte. Mas quando a noite chegou foi para a Led Slay… E ali começava uma guinada na minha vida que eu nunca tinha experimentado. Quinze dias depois, apanhava meu computador e algumas coisas estritamente pessoais e ia morar com ela. Foi um ano e meio de muita loucura em que na maior parte passamos brigando, bebendo e trepando. As vezes as três coisas ao mesmo tempo. Mas a realidade é que foi uma das experiências humanas mais ricas que eu vivi e decerto aquela que mais me fez crescer como ser humano. Sexualmente, desde “Sweet Jane” eu nunca mais tivera experiências tão intensas e prazerosas. E isso usando todo o espectro amplo que a palavra “prazeroso” possa carregar.
Com o “sucesso” de A Barata, muitas pessoas começaram pegar carona. Durante a época em que era Webmaster do site da Led Slay era tratado com reverência pelos puxa-sacos que queriam ingressos e, principalmente, entrar de graça. Não faltaram mulheres morrendo de tesão por mim e “amigos” sempre dispostos a criar musicas para minhas poesias, participar dos eventos que eu promovia e, no caso de “músicos” tocar em algum deles. . Além de publicar escritos dentro de A Barata, é claro. E algumas dessas pessoas conseguiram o que queriam. Era comum ter um séquito atrás de mim na entrada da Led Slay… Todos entrando de graça… Era comum ter mulheres apaixonadíssimas, morrendo de desejo… Foi engraçado, porque fui até chamado de “bicha” por não ter comido aquela mulherada. Sempre fui fiel em meus relacionamentos e, embora do meu casamento não restasse nada além da Certidão e dois filhos, meu senso de fidelidade prevalecia. Uma delas, que, aliás, eu sabia que era casada embora sempre pagasse o ingresso com uma “chupeta” a um alto funcionário, chegou a me perseguir a noite inteira e no fim da madrugada me agarrou pelo braço, colocou minha mão entre suas pernas, até bem bonitas por sinal, e disse “Não gosta de buceta, não?”, “Adoro. Mas não da sua. A sua tem certificado de propriedade e além do mais você está bêbada.”. Pouco tempo depois ela foi expulsa por estar transando dentro do banheiro com um dos porteiros.

E por falar em propriedade, tive alguns problemas com isso, com pessoas ávidas em ter seus textos publicados em A Barata. Duas dessas pessoas, mulheres, que, aliás, eu conheci na Led Slay, cismaram de ser poetas e escritoras. Uma plagiou Cora Coralina. O mais interessante é que quando descobri, por um intermédio de uma leitora que me mandou um e-mail furioso provando a fraude, a pseudo-escritora chorou, esperneou e disse que a mãe era testemunha daqueles escritos. Mas o texto era, ponto por ponto, palavra por palavra, idêntico. A outra, que copiou um poema de Herzer, de “Queda Para o Alto” deu uma de besta, de ingênua e não tocou no assunto. Uma coisa é totalmente abominável num ser humano: copiar o trabalho alheio. Principalmente uma poesia ou texto literário, pois ali o que se rouba é muito além de algo material, se rouba o espírito do verdadeiro autor. Rouba-se seu momento, sua dor e sua alegria.

Há pouco tempo atrás tive problemas sérios com coisas minhas roubadas por a dona, ao menos assinava como mulher, que pegou 25 poemas meus e publicou em seu nome num Blog. A desgraçada ainda mudou quase todos os títulos dos poemas e mudou o gênero, com isso quebrando rimas e sentidos dos textos. Entrei com uma denúncia contra a Google que retirou os textos da Internet. Mas acredito que ainda existam coisas minhas plagiadas, baseadas num principio doentio e criminoso de que na Internet nada tem dono. Há bastante tempo, com o intuito de resguardar meus direitos, passei a registrar no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional, e nunca publicar algum texto na Internet antes de receber o protocolo de registro.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!