Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 28

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Barata Cichetto


2003 foi um ano comum, comigo tratando de manter a subsistência da família construindo sites de empresas. Ao menos até o dia 9 de Julho, um feriado quando, ao ir a Led Slay tomar umas e escutar Rock, fui chamado por um dos donos que ofereceu o espaço para a realização da “2º. Fest’A Barata”. Agora mais experiente, eu queria algo grandioso mesmo. E parti para todo aquele trabalho de produção, organização, divulgação, tetetetetete. A data marcada, 8 de Novembro. Então, como se diz no popular, parti pra ignorância, colocando na mesma noite e no mesmo palco 11 bandas, sendo 10 bandas “cover”, e uma banda do Interior de São Paulo que eu dava uma força divulgando, criando site e tentando trazer para tocar em São Paulo. Em retribuição a meus “serviços prestados”, o dono da banda resolveu pegar uma das poesias e musicar. A estreia da audição dessa música ocorreu naquela noite e foi filmada, fotografada e gravada. As coisas rolaram quase igual a de um ano e pouco antes na Fofinho; varal de poesias, bancas de tatuagem, revistas, artesanato etc. E dessa vez foram 650 pagantes de um total de mais de 800 pessoas.

Mas, por fazer quase todo o processo sozinho, todo o trabalho de organização de um evento dessa natureza é extremamente desgastante e cansativo e eu tinha decidido a não fazer mais. Entretanto um antigo projeto envolvendo Black Sabbath martelava minha cabeça. A ideia consistia em montar três bandas diferentes envolvendo músicos de bandas distintas e cada uma delas com um vocalista diferente simbolizando cada uma das três fases principais do Sabbath; Ozzy, Dio e Gillan. E eu tinha as pessoas certas para isso, principalmente os vocalistas. Odair Cassani, que tinha participado dos festivais de A Barata era um cara fantástico que tinha um timbre idêntico ao de Dio; Abdalla Kilsam, que eu conhecera fazendo tributo ao Deep Purple era, até fisicamente, Ian Gillan perfeito. Faltava o Ozzy, que encontrei através de contatos, na figura de Marcelo Diniz, um morador de São Vicente. Entretanto, o projeto inicial naufragou por ser inviável juntar os “medalhões” das bandas paulistas que, entre outras coisas, tinham suas agendas. Acabei aceitando a ideia de Sandro da Led Slay e fazendo uma coisa mais simples, com as próprias bandas de cada um desses vocalistas que escolhera. E tudo parecia ir perfeitamente com o “Sabbath Trifásico”… Até três dias antes do evento. Na quarta-feira, a direção da Led Slay me chamou e disse que o valor dos ingressos que tínhamos estabelecido era caro demais. Afinal, segundo eles, eu tinha feito um show com 11 bandas e agora queria cobrar o mesmo valor para um com apenas três. De nada adiantou minhas explicações sobre custos de produção e outros. Eles decidiram que o valor do ingresso deveria ser menor. Eu já tinha contratado as bandas e pago parte do material gráfico. Enfim, tinha assumido compromissos financeiros que não podiam ser cancelados, e aquele valor de ingresso, a não ser para um publico enorme, não pagaria sequer os custos.

Para piorar a situação, na véspera do evento o dono de uma das bandas me liga e me diz que não vai poder tocar porque estava sem baterista. Tive que lhe esfregar um contrato na cara para que ele resolvesse vir, e mesmo assim tendo que me responsabilizar em arrumar um baterista que soubesse as músicas, justamente da fase mais desconhecida, a da “Fase Gillan. Passei a noite de sexta e parte do dia de sábado em busca, em vão. No início da noite fui para a Led Slay com o intuito até de cancelar, mas fui salvo pelo amigo Odair Cassani que ligou para um amigo batera que sabia algumas musicas do disco. Algumas é melhor que nenhuma e o camarada veio e os shows aconteceram quase que sem problemas, a não ser pelo curto repertório da banda irresponsável, salvo pelo Abdalla que soube contornar as coisas sem deixar cair a peteca. Mas, o publico foi decepcionante, e também em função do baixo valor do ingresso, terminei a noite pagando o cachê das bandas e algumas despesas cobradas á revelia pela direção da Led Slay. Resultado: nem dinheiro para o ônibus de retorno pra casa. Só não fui a pé porque o Odair me deu 20 reais, retirados de sua parte do cachê. Jurei nunca mais fazer esse tipo de coisas, mas como sou ateu e minhas juras são sempre sem um “santo”, acabei quebrando o juramento. E poucos meses depois estava às voltas com o “Vinho, Poesia & Rock’n’Roll”, em parceria com o dono de um bar de Rock que ficava ao lado da sede do moto clube Abutres. Seriam 4 apresentações semanais, mas a primeira já se mostrou um retumbante fracasso, pois entre outras coisas, o dono do Magic Bus “esqueceu” da parte que lhe cabia: o Vinho. Mesmo assim ainda fizemos mais dois dias. Ainda produzi a apresentação da banda baiana de Metal Malefactor, um outro fracasso de publico e outra derrocada financeira. Desta vez, minha carreira de produtor de eventos estava definitivamente sepultada.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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