Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 26

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Barata Cichetto


Apenas “agitar um som” era pouco,, “bater cabeça”, essas coisas não supriam minhas necessidades roqueiras.. Queria mais, precisava mais. E foi assim que decidi começar a produzir eventos voltados ao Rock. Bolei um festival, que uniria bandas de Rock, Poesia e uma série de outras expressões artísticas e que deveria acontecer dentro de uma casa voltada ao Rock. Mas não tinha experiência nenhuma nisso, não sabia por onde começar, como fazer. Mas, como sempre, a vontade me falou mais alto e meti as caras. Não sabia se precisava antes do lugar ou das bandas, como fazer, o que ter, como pagar… Totalmente “cabaço” na questão de produção. Mas as coisas, quando a gente tem um desejo de potência, sempre acabam acontecendo. Falando com um, com outro, perguntando ali e alhures, consegui um “cast” de 5 bandas “cover”, que tocariam sem pagamento, por amizade. Eu não sabia se aquilo iria render um centavo, então não podia me comprometer com ninguém ao pagamento. Depois de uma série de murros em pontas de faca, no escuro, consegui algumas alianças importantes, além dos músicos, como uma parceria com uma das Webradios de Rock pioneiras no Brasil, a Rock Geral de Paulo Rogério. Tinha um monte de ideias, de artistas, de amigos dando força, mas não tinha ainda chegado ao fundamental: o lugar. A Led Slay me assustava um pouco pelo tamanho e consequente risco. Fui então bater à porta da Fofinho Rock Bar onde a Renata e sua mãe toparam a ideia na hora.

Comecei então uma maratona intensa de contatos, contratos, criação de cartazes, elaboração de programas, ingressos, flyers… Uma infinidade de detalhes que podem passar despercebido a maioria, mas que custam muito trabalho & tempo & dinheiro… E assim foi, durante meses preparando o que chamei de “1º Fest’A Barata – Rock & Atitude”. A data marcada não poderia ser pior: 11 de Janeiro.. Principio de ano, férias e… Bem naquele dia de 2002, uma sexta feira, o céu desabou em São Paulo. Temporais colocaram a cidade debaixo d’água… Mas mesmo assim, num dia totalmente infeliz, cerca de 350 pessoas, todos a meu convite e boa parte usando camisetas de propaganda de A Barata, compareceram ao bairro do Belém para participar. Varal de poesia, performances de teatro, apresentações em dois palcos, um garoto genial pintando um mural durante o vento… Enfim, um espetáculo multimídia como eu sempre sonhara. E ao amanhecer do sábado, quando as pessoas foram para suas casa, eu sabia que não tinha outro jeito, a antiga amante me arrebatara novamente. Daquele dia ainda conservo algumas fotos, muitas lembrança e, principalmente, um punhado de amigos.

Eu tinha criado A Barata ainda sem essa identidade, mas com o mesmo conceito em 1997. O nome exato surgiu em 1999. Uma série de homenagens e identificações estavam embutidas no conceito, Franz Kafka e A Metamorfose era o mais explicito, mas ainda tinha as associações com “underground”, gíria para buceta, o fato de as baratas terem sido o único ser a sobreviver à era dos dinossauros e outras. E também por algumas manias minhas como a de considerar “palavras perfeitas” aquelas que não contem encontros vocálicos ou consonantais e o de ter como vogal apenas a letra “A”… E coisas assim. Com A Barata crescendo e as pessoas passando a me identificar com ele, começaram a acontecer fatos do tipo:”Alô, é o Luiz!”, “Luiz?!” “De A Barata!”, “Ah, sim, agora sei quem é. Fala, Barata!”. Mas a primeira pessoa a chamar diretamente a mim de “Barata”, foi a Renata, proprietária da Fofinho Rock Club, justamente nessa época. E gostei muito, pois afinal, era uma espécie de “consagração” ao meu trabalho. E a partir daí passei incorporar esse “apelido” ao meu nome, tendo depois criado meu nome literário apenas com ele, acrescentando apenas o sobrenome. Foi assim que nasceu Luiz Carlos Barata Cichetto, ou apenas Barata Cichetto.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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