Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 25

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Barata Cichetto


No início de 2001, a noticia da vinda de Dio ao Brasil causou alarido em minha casa. Em mim, que sempre admirara o cantor desde a época em que comprava meus LPs do Rainbow, e meu filho Raul, que passara a cultuá-lo quase como um verdadeiro Deus, a ponto colocar “Stargazer” como sobrenome. Quando a data foi anunciada ele saiu de casa e gastou todo o dinheiro de seu salário mensal para comprar um par de ingressos. Literalmente inteiro, pois teve que voltar para casa a pé. No dia 5 de Abril acontecia o momento esperado e saímos de casa e, após atravessar a cidade bem no horário do rush, chegamos ao local, com mais de uma hora de antecedência. Foi uma apresentação impar, onde Ronald Padavona mostrou como sempre o respeito e o carinho que tinha para com os fãs. E ali, naquele dia em que eu registrara finalmente o domínio de Internet de A Barata, nasceu meu conceito de “Rock é Atitude!”, que usaria dali para frente, como um segundo “slogan”, juntamente com aquele que tinha criado ainda nos idos de 1998: “Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade”.

Mas meu sentimento naqueles anos era de total abandono. Em Belém ainda, meu casamento tinha acabado, embora ainda habitássemos a mesma casa. Não conseguia emprego fixo e um amigo, que tinha uma empresa de informática começara a vender sites. Fui prestar serviço com ele e passei então a ganhar meu sustento criando sites para supermercados e puteiros luxuosos. Em Belém eu tinha assistido um filme estrelado por Bruce Willis, chamado o Sexo Sentido, que conta a história de um cidadão que não entende porque ninguém o percebe, ninguém o enxerga, nem escuta.. Ele não tinha consciência, mas estava morto. E era assim que eu me sentia, como se eu tivesse morrido a 3.000 Km.. E pensava mesmo em voltar até o Pará, e tentar achar minha própria sepultura, ou talvez encontrar minha alma… Naquele tempo, naqueles momentos, meus dias foram ficando curtos, divididos entre sites e sonhos… E as noites, extremamente longas, entre garrafas e sonhos…

Nesse mesmo período, a convite de João Paulo Andrade, comecei a escrever para o Whiplash, E foi também nessa época que uma seguidora de A Barata, que trabalhava no Jornal do Brasil me convidou a escrever uma matéria sobre traição virtual. O texto saiu na edição impressa do jornal.

Foram anos de muita efervescência criativa, sendo que ainda lancei em Xerox, dois de meus livros de poesia, tendo A Barata atingido picos de 2.000 visitas por dia, com um conteúdo diversificado que ia desde cerca de 3.000 poesias de cerca de 300 colaboradores a entrevistas e sites de bandas hospedados gratuitamente em seus servidores. Aliás, ainda nos idos de 2001 criei algo que pouco tempo depois seria “coincidentemente” o My Space: Eu criava e hospedava gratuitamente sites de bandas iniciantes. Cheguei a ter mais de 100 bandas com páginas dentro de A Barata.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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