Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 2

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Barata Cichetto


Realmente não sei precisar quando foi que comecei a ter interesse por música… Por Rock, entretanto, tenho algumas referências históricas e temporais. A Música sempre foi o melhor veículo para se conduzir mensagens, propagar sentimentos e emoções. A impressão que tenho é que ela, a Música existia mesmo antes da própria humanidade… E acho que foi ela a criadora do ser humano, e não o contrário… Portanto acredito que se existe um Deus é a Musica, e se existe um Messias, o nome dele é Rock’n’Roll.

E a Musica dentro de minha família existia sob a forma ainda de discos de 78 RPM que reproduzidos numa vitrola gigantesca enchia a sala com as vozes de Vicente Celestino e Nelson Gonçalves, além de óperas e cantores italianos, escutados por meu pai e da musica sertaneja (a real, ou ainda chamada de “moda-de-viola”.), por parte de minha mãe e avós paternos. Mas eram os anos 1960 e logo as vozes dos Beatles e da Jovem Guarda começaram a tomar lugar dos “cantores do rádio”. O perigo então se tornou iminente naquela humilde habitação da Zona Leste de São Paulo… E então, junto com Creedence chegaram outros… E outros e outros… Até que o perigo aumentou quando eu descobri minhas próprias estações de rádio, como a Difusora e a Excelsior…

Ainda no final dos anos 1960, ter uma TV em casa era luxo, imagine mais que uma. E então começaram as disputas familiares: Meus pais querendo assistir ao Silvio Santos na TV Paulista, antecessora da Globo em São Paulo. E eu queria mudar de canal, colocar na Record e assistir aos “cabeludos” da Jovem Guarda e depois Perdidos no Espaço. Tenho ainda em minha lembrança uma imagem de Roberto Carlos saindo dos estúdios da emissora e tendo as roupas rasgadas pelas fãs que o esperavam na porta.

Um dia, um primo mais velho comprou um gravador “Crow” (ou seria “Crown”?) mono e com ele algumas fitas cassete… Jamais esquecerei a primeira fita que vi e escutei: “Joe Cocker”… E se minha memória não trai, 1970/1971. Revista Pop, comercial da calça US TOP, o primeiro “jeans” fabricado no Brasil (“liberdade é uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser”.). 1972 e meu primeiro emprego… Solas de sapatos gastas e o dinheiro do taxi pago pela empresa embolsados e devidamente trocado por um gravador Aiko, também mono… E posteriormente fitas cassete virgens, BASF, TDK… C60, C90… Um cabo feito por algum conhecido “gênio da eletrônica” e as fitas e discos dos amigos copiadas… O compartilhamento não era feito em apertar de teclas, mas de mão em mão, sem pudor nem crime.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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