Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 18

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Barata Cichetto


Nunca fui amante da chamada Musica Popular Brasileira, com exceção dos experimentalistas como Walter Franco, Mautner, Itamar Assumpção e posteriormente Arrigo Barnabé. Mas durante um período no final dos anos 70, por insistência e influencia de um amigo que só escutava a tal de MPB, passei a dar atenção a alguns expoentes. Assim, comecei a escutar Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Bethânia, Chico Buarque, Alceu Valença e outros. Desses, nunca consegui engolir Chico Buarque, um compositor pretensioso demais, falso pobre, um mentiroso. Gal e Bethânia, pra quem tinha começado com Janis me pareciam pequenas demais. Gilberto Gil sempre achei um artista sem autenticidade, um cara que ia ao sabor das marés. E quanto mais eu sabia sobre essas pessoas, menos gostava delas. O que sobrou foram apenas Alceu Valença e Caetano Veloso. Alceu gravou o melhor disco de Rock do Brasil “Vivo”. Progressivo, pesado, quase metal… Agora, quanto a Caetano… Desde a época da Tropicália, que tenho comigo ter sido o ultimo movimento artístico real e confiável no Brasil, tinha simpatia por ele. E até mesmo antes desse meu amigo, tinha comprado um ou outro disco, como aquele gravado em Londres e o “Joia” que eu tinha comprado por causa da capa censurada. E passei a prestar uma atenção maior a ele, comprando outros discos, fantásticos por sinal, como o outro homônimo de 69, o “Transa”, o “Araçá Azul, um disco totalmente experimental, criativo e magnífico. Caetano me parecia refinado, poético, doce.. Tudo que se esperava de um cantor e compositor. Cheguei a ler um livro com as cartas dele na época do exílio em Londres, chamado “Alegria, Alegria, Uma Caetanave Organizada Por Wally Salomão”. Mas apenas até assistir ao “Bicho Baile Show”.

Fomos eu, aquele meu amigo, Sergio, e uma irmã dele, de nome Sônia, ao Teatro Pixinguinha. Eu torcia um pouco o nariz pelo alarde midiático feito sobre aquele disco, principalmente sobre a musica “Tigresa” e pelo fato de que ele seria acompanhado pela banda Black Rio, que naquela época de auge da horrorosa Discotheque não me apetecia nem um pouco. Aquilo foi sim um baile… Um baile de mau gosto, com Caetano todo trajado de cor-de-rosa, parecendo um macaco de circo… Coisa muito diferente daquele Caetano dos discos que eu tinha escutado. Sem refinamento, sem poesia, sem doçura… Ainda comprei um outro disco, depois, que tinha a musica “Sampa”, mas nunca, jamais iria a outra apresentação de Caetano Veloso. O tempo passou, tanto ele quanto eu envelhecemos, mas a mim ele parece, com raríssimos momentos criativos, cada vez mais com um macaco de circo cor de rosa do “Bicho Baile Show”, do que aquele Caetano do disco de Londres, de “Transa”, “Joia” e “Qualquer Coisa”. 

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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