Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 17

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Barata Cichetto


E pra não dizer que eu não falei… De sexo… Sei que muitos leitores estão achando essas estórias cândidas e pouco picantes. Afinal, falar sobre Rock, sem falar de Sexo é o mesmo que uma Bibi lia sem falar de Deus… Ou do Diabo… Porque o sexo é o Deus e o Diabo numa só entidade quando falamos de Rock. O próprio termo “Rock’n’Roll” é uma gíria americana relacionada a sexo… As primeiras mulheres com quem transei nada tinham a ver com o mundo do Rock, a não ser talvez por fazerem parte de alguma música de Lou Reed. Eram putas das ruas do centro de São Paulo, que o máximo que chegavam em termos de Rock talvez fosse ter transado com algum musico em troca do cachê do programa. Minha história com Ângela, relatada anteriormente neste texto, a não ser pelo fato de ter terminado na data em que terminou, nada tinha a ver também. De fato, sempre frequentei puteiros, mas sempre os odiei, não pelas putas, mas por ter que aguentar aquelas musicas horrorosas, de péssimo gosto e qualidade que são tocadas em suas “salas de espera”… Sempre sonhei com um puteiro decente, que tocasse Led, Pink Floyd e outras coisas. Até que um dia conheci uma “dançarina” chamada Daria, que trabalhava numa boate ali da chamada “Boca do Luxo”. No primeiro momento achei que era “nome artístico”, até que ela me mostrou a identidade. Era esse o nome dela mesmo. Para quem não sabe, Daria era o nome da personagem e da atriz principal do filme “Zabriskie Point”, de Antonioni, que tinha a trilha sonora principalmente composta pelo Pink Floyd. Numa das cenas mais belas em termos de erotismo no cinema, o casal Daria e Mark transam na areia, com a imagem se multiplicando.

Foi uma época de muita loucura erótica, porque ela era também fanática por cinema e Pink Floyd, embora ainda não houvesse assistido, e nem sabia de sua homônima no filme. (Em tempo, “Zabriskie Point” foi feito em 1970, mas durante muitos anos ficou proibido no Brasil por ter por temas duas coisas que a censura não queria saber: esquerdismo e sexo, sendo apenas liberado nessa época, bem no final dos anos 1970). Carreguei uma tarde, antes de seu expediente, Daria ao cinema e ali mesmo, depois de uma sessão de bolinação nas cadeiras, nos trancamos no banheiro feminino e transamos não nos enrolando na areia, mas nos azulejos imundos do Cine Metro, com nossas imagens se multiplicando como no filme. E Daria tinha até uma semelhança física com Daria Halprin, a atriz, que depois casaria com Dennis Hoper, mas sem antes ter um caso fora das telas com seu “partner”. Mas feito areia, Daria sumiu pouco tempo depois, não sendo mais encontrada nem na boate onde trabalhava, nem no apartamento onde morava, na Penha.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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