Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 16

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Barata Cichetto


1979… Uns cinco anos antes eu descobrira os endereços de todos os puteiros do centro de São Paulo. E como sempre fui muito romântico e respeitoso com elas, acabei me tornando namorado de algumas… Ah, mas isso não tem nada a ver com Rock… Dessa vez tem, sim! Em principio de 1979 eu tinha uma dessas namoradas, Ângela, que era uma das mulheres mais doces que conheci. Estávamos juntos há mais de um ano, mas eu não aguentava a pressão dos amigos e da família, que ficara sabendo da profissão da minha namorada por intermédio de um amigo de meu pai, Guarda de Transito bocudo. Além da pressão social – fui fraco na época sim – minha condição financeira não permitia que a gente fosse morar juntos, e Ângela não tinha outra profissão que a pudesse manter. Um dia, 31 de março de 1979, fui até o puteiro onde ela trabalhava e como acontecia algumas vezes, a gerente me disse que ela estava “ocupada”. “Ok, depois eu volto!”.. Sai dali, parei num boteco imundo e enchi os cornos de conhaque… E nunca mais voltei àquele prédio de três andares da Rua Barão de Limeira…

Naquele dia, um sábado, num salão de Rock que existia num bairro próximo, a Tarkus – onde eu tinha ido a primeira vez a convite do James “Paice”, aconteceria o show da Patrulha do Espaço, que tinha agora Percy Weiss no vocal e contaria também com a presença de Wailter Baillot, que tinha saído do Joelho de Porco.

Cheguei lá me arrastando de bêbado, com Ângela na cabeça e minha consciência me acusando de omissão e covardia… No fundo do salão um bar.. Parei para tomar mais uma e ali estava Rolando, na época conhecido apenas por Junior, bebendo algo, acompanhado da sua então esposa. Cumprimentei-o com um aceno de cabeça e disse apenas: “Gosto muito da sua banda, estive no Ibirapuera. bom show”, mais ou menos isso, mas não mais que isso… Foi uma apresentação fantástica da banda e logo após rumei para a casa de uns amigos onde acontecia uma festa para a qual, mesmo a contragosto, eu tinha emprestado uns discos. Fui a festa não por ela nem pelas pessoas, mas sim para resgatar meus melhores amigos: meus discos. Na saída, eu com meus amigos discos devidamente aconchegados no peito, peguei carona com um amigo, completamente bêbado, em um Fusca. Ele errou uma curva, capotou o carro.. Eu fui parar no Pronto Socorro com a clavícula fraturada… O difícil foi os enfermeiros me fazerem convencer que não dava pra engessar com os discos junto… Essa história ainda hoje é lembrada às gargalhadas pelo Paulo Tuckmantel, um dos donos da “Equipe”. Minha “vingança” sobre esse acidente viria acontecer trinta anos depois, quando foi feita uma festa de comemoração e eu conheci minha atual esposa.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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