Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 13

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Barata Cichetto


“Mil novecentos e setenta e sete foi um ano de muita dor”, eu escreveria 33 anos depois ao compor a Opera Rock Vitória. Mas o 1977 de fato, no Brasil, em mim e no mundo foi um ano repleto de criatividade, histeria e muito, mas muito Rock. Em agosto morreu Elvis, em dezembro, Chaplin. O Punk explodiu no Brasil, juntamente com a Discotheque, que viria marcar presença e ser o marco do que acredito ser a derrocada do Rock, como movimento comportacional no mundo. Nesse ano surgiu uma banda de caráter excepcional, formada por grandes músicos (Armandinho, Dadi, Mu e Gustavo) chamada de A Cor do Som. E rolou um show com um acontecimento inusitado. A recém fundada WEA lançara uma medíocre banda inglesa chamada de Liverpool Express. Sucesso na América Latina e particularmente no Brasil, como – claro – trilha de novela da Globo. Trouxeram a banda pra fazer show aqui e, ao que se diz, forçaram a barra, colocando A Cor do Som para abrir. Achamos um desrespeito … à Cor do Som, claro, e decidimos: vamos entrar, assistir a “banda de abertura” e cair fora. E assim fizemos. Depois da apresentação da banda brasileira, metade da plateia saiu… Acho que os ingleses não entenderam nada até hoje…

E naquele mesmo ano de 1977, um dos maiores cantores de Rock e Blues do mundo nos presenteou com uma série de apresentações nestas terras. Em agosto, no Ginásio da Portuguesa, acompanhado de Nicky Hokpinks no piano, Joe Cocker, calibrado pelas cervejas acomodas embaixo do microfone, fez um dos shows mais emocionantes que presenciei, com um repertório de clássicos cantados naquele timbre peculiar. Mas dessa vez, ocorreu o inverso do que rolara com A Cor do Som: a abertura foi da banda “Placa Luminosa” que á época tinha por vocalista Jessé. (“Sino, sinal aberto…”) A banda já entrou errado, com o baixista reclamando que o “gringo não quis me emprestar o baixo dele”). E em dado momento, incomodado porque a plateia pedia por Cocker, resolve tocar pretensiosamente “The Ocean” uma música do Led. A banda saiu sob vaias e gritos de ”Fora!”. 

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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