Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Parágrafo 10

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Barata Cichetto


A televisão em minha infância tivera um papel muito importante… Dos desenhos e seriados no fim de tarde, eu começara agora a buscar programas sobre Rock na TV. E eles existiam, sim. O primeiro programa que lembro ter assistido foi o “Band XIII”, na Bandeirantes. A memória é falha e lembro apenas de algumas cenas, que eram de uma banda a qual eu viria a ser um grande admirador: Jethro Tull. As cenas são de Ian Anderson com uma cabeleira imensa e “soprando” sua flauta. A cena me marcou a ponto de eu sair em busca de discos da banda e conhecer a biografia e letras. As letras do Jethro eram fantásticas e de certa forma contribuíram muito para minha formação intelectual. Nessa época conheci também, durante um show do Made no Teatro Martins Penna, na Penha, um amigo chamado Walter, que era fanático pela banda de Ian Anderson, tinha muitos discos deles e tinha o sonho de ir para Londres e usar um capote igual ao do ídolo. Mas, retornando aos programas roqueiros de TV, eles eram poucos e sempre duravam pouco tempo. Um deles, foi o “Papo Pop”, na Globo, com Big Boy, o Sábado Som (aliás, muita gente se confunde, afirmando que Sábado Som era programa do Big Boy. Não era não. Sábado Som era uma produção de Nelson Motta e não tinha apresentador, apenas voz), e que em sua estreia apresentou a primeira parte do Pink Floyd At Pompeii.

Esse programa foi o que teve maior repercussão, mas existiram outros, como o TV2Pop Show, na Cultura, o “Balanço”, que era diário, na Bandeirantes e o “Hallelluyah”, na TV Tupi, que tinha na abertura a musica “The Wizzard”, do Black Sabbath. Esse programa era apresentado por Silvio Brito e por um tal de Fábio Jr. (ele mesmo!) e apresentava artistas ao vivo. Lembro ali de apresentações do Made In Brazil e Novos Bahianos.

Alguns outros programas me marcaram bastante, em televisão. Um deles foi um especial da Globo chamado “Ciranda Cirandinha”, que se propunha a mostrar o universo “jovem”, e tinha entre os atores, desconhecidos na época, como o mesmo Fábio Junior e Jorge Fernando. Era história de um cara chamado Joel, que pirava e deixava atônito seus amigos. No final, uma interpretação paranoica, neurótica da musica “Postal do Amor”, por Zezé Motta. A novela, na Bandeirantes, isso já no inicio dos anos 1980, “Os Adolescentes”, também tinha esse tom, mas acabou se perdendo e no final, o que seria um precoce debate sobre homossexualidade acabou perdido, terminando numa das coisas mais estúpidas, com um personagem afirmando sobre um outro que “seria” o alvo do debate: “Ele não é gay, ele é poeta.” Póóóóóóim!

E foi nessa época também que ficou marcado em minha cabeça que a mídia estabelecida mais popular tinha verdadeira aversão ao Rock, mesmo que depois, durante algum tempo tenha ganhado muito dinheiro com ele. Uma matéria do “Fantástico” mostrava um método de um cientista para curar surdez em cachorros. O método consistia em… tocar Pink Floyd, associado a algumas outras coisas… E a matéria “cientifica” terminava assim: “Mas apenas cinco minutos, porque mais de cinco minutos de Rock, nem cachorro surdo aguenta…” Póóóóóóim 2!

Alguns anos depois a Globo transmitiria a apresentação do Kiss no Brasil e depois o Rock In Rio, quando o arremedo de jornalista e falso cronista do Pedro Bial fez o seguinte comentário, no meio da apresentação de Joe Cocker: “Como canta o velhinho!”… …”Póóóóóóim 3!

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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