Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll – Ateísmo

Barata Cichetto


Filho de uma família católica praticante, aos menos nos domingos, fui batizado, crismado e fiz a primeira comunhão, acompanha da temível confissão ao Padre. Meu grande pecado naquela época era ter brigado com meu irmão. Mas como toda família católica brasileira, meus pais começaram a frequentar umbanda e me obrigavam a acompanhá-los. Na adolescência fui Hare Krishna por um dia. Durante meu primeiro casamento com uma Neo Pentecostal, frequentei inúmeras seitas “crentes”, mas acabei casando numa cerimônia católica, embora tenha nessa época frequentado também a Seicho no Iê. Minha segunda companheira tinha família ligada ferozmente à Congregação Cristã no Brasil, religião ultra conservadora que tem inúmeros ritos parecidos à cerimônias militares e extremamente machistas. A terceira de minhas esposas era mística, ligada à cartomancia, quiromancia, tarot, essas coisas. Sempre respeitei a todas e sempre procurei acompanhar. Mais que isso, buscava sim uma resposta “divina”. Tanto que, por pressão religiosa, acabei um dia queimando todos os livros de Ocultismo que tinha guardados desde a adolescência. Um heresia suprema, eu concordo, e algo do qual eu me arrependeria amargamente. Nos culto, percebia pessoas em transe, alguma claramente honestas e perguntava a mim mesmo se um dia eu sentiria tal coisa. Queria muito ser “tocado” por aquele “Espírito”. Mas nunca senti absolutamente nada. E foi essa série de acontecimentos que colocaram em mim um sentimento que em primeiro momento me afastou de todas as religiões. E também depois de muita leitura e reflexão, cheguei a inevitável conclusão de que não existe nenhum deus, nem ser maior, nada disso. E o que é pior, cheguei a conclusão de que todas essas deidades foram criadas com o único intuito de cerceamento de pensamento e consequentemente de liberdade. E, é claro, em função do lucro financeiro. E me sinto atualmente extremamente confortável em meu ateísmo. E sinto-me muito bem em não ter amarras dentro de minha cabeça. Sou um pensador livre e muito mais honesto comigo mesmo. E esse ateísmo inclui ainda não ter diante de mim não apenas deuses, mas também seres humanos, entendendo-se ai gurus e “mestres”, psicólogos, ídolos das artes e outros entes que têm a pretensão a guiar a outros. E garanto, é uma experiência totalmente libertadora e honesta.

Do Livro: Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll (Uma Autobiografia Não Autorizada)
Editor’A Barata Artesanal, 2012
(ESGOTADO)

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Viveu a vida entre Sexo, Poesia e Rock’n’Roll. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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