Barata Cichetto – Nihil

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Barata Cichetto


As minhas mágoas tem o tamanho do meu verso
Pois minhas chagas tem a dimensão do universo
As águas que correm desfazem das pedras o limo
E as mágoas liquidas refazem aquilo que sublimo.

E eu sou um zero, sou o nada, o vazio e o oco
E o zero não é o quase, o zero não é o pouco
Zero é buraco, negro, branco, de qualquer cor
O zero é a resposta e a pergunta, zero é indolor.

“Quem não tem nada, nada tem a perder”, agora
E nada ter a ganhar, a praga que comigo vigora
E se sou o zero e sou nada, tenho o nada para ser
E a partir do zero até o infinito tenho para crescer.

Meus versos tem o tamanho da minha tristeza
E são eles o tamanho exato da minha riqueza
Pois ser um poeta é o que eu tenho por meu ofício
E com ele ganho o universo, a morte e o sacrifício.

06/06/2013

Do Livro: Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
Antologia Poética, de 1978 a 2024
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Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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