Barata Cichetto – Lápide

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Barata Cichetto


Sou magro feito a peste, nem gordo nem robusto
Magras minhas cantigas, nem forte, nem augusto
Dialética metrificada das putas, dos poetas e dos pobres
Quanto a meus desejos, apenas que morram sábios e nobres.

Estandartes metafísicos de dor e cantigas maltrapilhas
Dores e prantos, a solidão e a morte são minhas filhas
Eu não tenho culpa de não ser a solução, mas parte do problema
Pai, quantas porradas precisamos tomar para construir um poema?

Porque sonhos não aceitam e nem pedem perdão
Minha bandeira foi rasgada e perdeu o pendão
Tal foi minha declaração e é meu real e eterno decreto
Pois não tenho sequer nenhum desejo ou plano secreto.

Não, não tragam coroas de flores com frases de saudades
Porque morto eu não estarei liberto das minhas maldades
Flores mortas não falam por mim, e portanto, apenas bebam
E não chorem, apenas a minha dor em suas almas recebam.

4/10/2008

Do Livro: Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
Antologia Poética, de 1978 a 2024
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Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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