As Histórias de Tom Croos – Stacie – Capítulo 2

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Walter Possibom


Stacie estava imersa no trabalho, ainda pensava naquilo que tinha acontecido no final de semana, ela tinha certeza de que acabaria com tudo nele, mas um anjo apareceu e a impediu de fazer isso.

Ela fazia seu trabalho quando um jovem, de cabelos loiros e olhos azuis claros, aparentando cerca de dezoito anos, chega à sua porta que estava entreaberta, bate nela, Stacie olha para o garoto e ele diz:
— Oi, você é a Stacie, certo?

Ela olha bem para o garoto, imediatamente sua mente lhe diz que ela conhecia ele de algum lugar, ela nem ouviu o que ele disse, enquanto sua mente busca pela resposta o garoto olhava para ela com um suave sorriso.

Após um tempo ela pergunta:
— O que disse mesmo?

O garoto sorri francamente e repete a mesma pergunta, Stacie acena positivamente com a cabeça, então o garoto diz:
— Bem, eu sou o Tom Croos.
— O seu chefe deve ter lhe dito sobre mim.

Stacie estava absorta olhando para o garoto e tentando se lembrar de onde o conhecia, o jovem percebendo que ela estava meio confusa volta a falar com ela:
— Ele deve ter enviado um e-mail para você, ou algo assim.

Stacie então fala a ele:
— Me desculpe, mas eu não estou entendendo.
— O meu chefe irá falar de você para mim?
O jovem dá uma discreta risada e fala:
— Sim, ele me contratou para te ajudar.

Stacie se surpreende com isso e diz:
— Você irá me ajudar no trabalho?
Então o telefone dela toca, ela atende e era o Sr. Edward, seu chefe:
— Oi Stacie, tudo bem?
— Um garoto loiro já te procurou?

Ela responde:
— Ele está diante de mim neste momento.

O chefe continua:
— Você tem tido muito trabalho, eu tenho percebido isso, então resolvi te arrumar um garoto para te ajudar nas pequenas tarefas, assim você vai ter mais tempo para resolver os problemas.

Ela responde:
— Eu agradeço, mas eu estava conseguindo resolver tudo.
— Eu acho que não preciso de ninguém para me ajudar.

Seu chefe diz:
— Você sai do trabalho tarde todos os dias.
— Eu não quero mais isso, não é justo.
— Treine ele do jeito que você quiser.
— Ele me parece ser um bom garoto, é muito inteligente.
— Tenho certeza de que vocês dois irão se dar muito bem.

Ele então desliga o telefone, ela repousa o aparelho e o jovem diz: – Ele te explicou tudo?
— Eu estou à sua disposição para te ajudar no que for preciso.

E fica olhando para ela com um sorriso suave, ela olhava para ele e sua mente continuava lhe dizendo que ela o conhecia de algum lugar, mas ela decide não perguntar a ele nada sobre isso, ela então respira fundo e diz a ele:
— Eu não sei o que te dar de tarefas.
— Mas vou acabar encontrando algo.

Ela volta à sua rotina, e Tom Croos fica ao lado dela apenas observando, então ela dá a ele alguns trabalhos simples, como tirar cópias de documentos, buscar correspondência e ordenar alguns documentos.

A manhã passa assim, com Stacie olhando várias vezes para ele na tentativa de se lembrar de onde o conhecia, e dele em lhe retribuir todos esses olhares com um sorriso de muita serenidade.

Chega a hora do almoço, então o jovem chega perto dela e lhe pergunta:
— Que hora você sai para almoçar?

Stacie responde secamente:
— Vá almoçar agora, eu vou mais tarde.

Tom Croos diz a ela:
— Tudo bem, eu espero você ir para irmos juntos.

Stacie, que estava de cabeça baixa examinando alguns documentos, subitamente levanta a cabeça e diz a ele:
— Eu sempre vou almoçar sozinha.
— Vá agora.

E volta sua cabeça à posição original, o jovem, sem perder o sorriso, diz a ela:
— É que eu não conheço nada por aqui.
— Eu esperava que você me ajudasse nisso.

Stacie volta a olhar para ele, os dois ficam se olhando, então ela diz a ele:
— Tudo bem, nós iremos almoçar juntos.

Tom Croos aumenta o sorriso e os dois voltam a trabalhar, e quando chega o horário habitual dela sair para almoçar ela diz a ele:
— Vamos almoçar.

Tom Croos sorri para ela e assim os dois saem, e assim que chegam à rua se dirigem ao restaurante onde normalmente Stacie almoçava.

Assim que chegam a ele Tom Croos diz a ela:
— Este restaurante é um pouco longe não?
— Aqueles restaurantes os quais nós passamos não servem comida boa?
— Ou você não gosta do cardápio deles?
Stacie momentaneamente se irrita com a pergunta e decide não responder, os dois entram no restaurante, vão ao balcão onde estavam os alimentos e pegam o que desejam, em seguida Stacie vai a uma mesa que ficava num canto e os dois sentam e iniciam a refeição.

Ambos mantinham o silêncio, que é quebrado um tempo depois por Stacie que diz a ele:
— Eu não gosto de comer acompanhada.
— Eu prefiro comer sozinha.
— Por isso venho neste restaurante.
— Os funcionários da Sunyseed comem naqueles restaurantes, apenas eu como aqui.

Tom Croos não fala nada, apenas ouve as palavras de Stacie, mas mantinha um sorriso cândido em seu rosto.

Eles terminam o almoço, pagam a conta e saem, os dois caminham lentamente pela rua, então Tom Croos diz a ela:
— A comida é boa, eu gostei.
— A companhia também foi ótima.

Stacie dá uma rápida olhada para ele e não fala nada, os dois continuam caminhando, logo eles chegam à empresa e se dirigem ao setor de trabalho, Stacie senta a sua mesa e reinicia as suas tarefas, Tom Croos olha para o relógio e diz a ela:
— Ainda temos vinte minutos.

Stacie olha para ele e responde:
— Vinte minutos para o que?

O jovem sorri mais intensamente a ela e responde:
— Ainda temos mais vinte minutos dentro do nosso horário de almoço.

Stacie fica parada olhando para ele, ela não estava habituada a conversar muito com as pessoas fora dos assuntos de trabalho, e após um tempo ela responde a ele:
— Eu não preciso desses vinte minutos.

E volta a examinar alguns papéis que estavam sobre sua mesa.
Tom Croos permanece em pé diante dela, e após um tempo ela ergue a cabeça olha parta ele e os dois fiam se olhando, ela pergunta a ele:
— Está precisando de algo?

Ele sorri para ela, e diz:
— Eu não preciso de nada, mas você sim.

Stacie sente um choque com a resposta do garoto, e fica com a mente embaralhada, ela não consegue articular nenhum pensamento coerente, aquela pergunta parece que havia lhe causado algo como um “curto-circuito” em seu cérebro, então Tom Croos diz a ela:
— Eu vou levar alguns documentos até o Sr. Edward.

Então pega alguns envelopes que estavam em cima da mesa dela e sai da sala, deixando uma Stacie perplexa.

Ela fica com aquela afirmação dele em sua mente:
— O que ele queria dizer com aquilo?
— O que ele sabia sobre ela?

Stacie sempre foi muito discreta com os detalhes de sua vida privada, nem mesmo o seu chefe tinha mais detalhes dela, ai chega um garoto e diz que ela precisava de “algo”. Que “algo” seria esse?

Essa dúvida não lhe sai a mente, então ela decide perguntar a ele assim que ele voltasse da sala da gerência.

Mas o final do expediente chega e nada do Tom Croos voltar, ela então decide ir atrás dele, e assim que chega à sala do Gerente, o Sr. Edward, ela pergunta a ele sobre o garoto e ele lhe responde:
— Muito bom esse garoto não?
— Muito gentil e educado.
— Além do que ele tem uma inteligência muito fora do comum.
— Ele esteve aqui e me trouxe alguns documentos, depois pedi que ele enviasse um deles até a salda do Diretor, daí em diante eu não o vi mais.

Stacie não lhe fala mais nada, apenas vira e sai da sala, assim que entra em sua sala ela o vê arrumando alguns documentos, os dois se olham, Tom Croos, como sempre, sorri para ela, Stacie se mantem do mesmo jeito, ele olha para o relógio e diz a ela:
— Está na hora de irmos embora.

Stacie responde a ele:
— Pode ir, eu ainda tenho que fazer algumas coisas.

O garoto responde imediatamente:
— Tudo bem eu fico com você, assim terminamos logo o trabalho.

Stacie se surpreende com a resposta e diz:
— Não precisa ficar, não irá me ajudar em nada.

O jovem então responde:
— Tudo bem, eu vou embora.

Ele se vira para ir embora, vai até a porta, se vira e diz a ela:
— Tenha um ótimo descanso, nós nos veremos novamente amanhã.
— Obrigado por ter ido almoçar comigo, foi ótimo.

Então se vira e vai embora, Stacie fica olhando para a porta, e sente-se estranha, não sabia dizer o que era, mas a presença daquele garoto lhe trouxe sensações estranhas, então ela decide encerrar o expediente.

Arruma suas coisas pega sua bolsa e se dirige ao hall dos elevadores, logo o Sr. Edward chega, os dois se olham assustados e ele diz a ela:
— Muito bom Stacie, eu fico feliz que esteja indo embora em seu horário correto.
— Vá descansar e se divirta.

O elevador chega, os dois entram no carro, ela não diz nada a ele, logo o celular dele toca e ele o atende, ambos chegam ao térreo se despedem com sinais de cabeça e Stacie ganha as ruas.

Ela caminha lentamente, ainda era dia, fazia muito tempo que ela não voltava para casa com o Sol ainda banhando a cidade com seus raios, ela chega à estação do metrô pega o primeiro carro que aparece e logo ela estava de volta ao seu apartamento.

Ela chega ao apartamento joga sua bolsa no sofá e vai direto ao banheiro, toma um banho e vai ao quarto de vestir, em seguida vai à cozinha pega um copo com suco de laranja e vai para a sala, se aproxima da janela e fica olhando para fora.

Era um momento diferente para ela, Stacie não se lembra da última vez que voltou para casa com o dia ainda claro.

Ela termina o suco, vai à cozinha para comer algo, pega umas fatias de pão e um pote com geleia de cerejas, passa um pouco delas no pão e a come.

Ela sentia-se diferente, mas um “diferente” bom, ela volta para a sala e liga a televisão, quase nunca ela fazia isso, e fica assistindo a alguns programas até que o sono a pega, ela então se levanta, olha para o relógio e ele marcara dez horas da noite, Stacie não tinha se dado conta do tempo que havia passado.

Ela coloca uma roupa leve e se deita, logo pega no sono.

Do Livro:
As Histórias de Tom Croos

Walter Possibom, São Paulo, SP, é escritor, guitarrista da banda Delta Crucis, e Livre Pensador.
Facebook: https://www.facebook.com/wpossibom/

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