As Histórias de Tom Croos – Meg – Capítulo 1

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Walter Possibom


Meg caminhava lentamente pela rua, sua mente estava distante, ela havia acabado de sair da empresa onde trabalhava, lá ela era ilustradora, Meg tinha um talento muito grande para as artes, seus desenhos eram muito apreciados na empresa, embora ela os achasse muito comuns e sem graça.

Esse talento se mostrou claro quando teve que fazer um trabalho na escola, e para esse trabalho ela resolveu montar uma história em quadrinhos, nem precisa dizer que foi um enorme sucesso.

Desse dia em diante os seus professores a incentivaram a direcionar sua vida e a sua futura carreira para as artes plásticas, com isso ela passou a desenhar todos os dias, e naturalmente o seu talento começou a aparecer e a se firmar.

Enquanto não terminava o curso básico ela fez inúmeros cursos de pintura, e em todos eles ela não chegou ao término, eles estavam num nível inferior ao dela e pouco lhe acrescentaram.

Naturalmente ela entrou para a Escola de Artes Plásticas, e teve um desempenho brilhante durante toda a faculdade, recebendo as maiores notas sempre, seus professores a incentivaram a seguir uma carreira de pintura.

Ela caminhava pela rua principal do centro da cidade, alguns pingos de chuva começam a cair, ela então se refugia debaixo de um toldo de uma lanchonete, ela estava sem guarda chuva.

A chuva se torna torrencial, ela prefere entrar na lanchonete e beber algo, pois com a chuva veio o frio, então ela se ajeita num banco diante do balcão e pede um chocolate quente.

Meg chamava a atenção, ela era uma garota linda, seus cabelos negros contrastavam com seus olhos verdes claros, que embora fossem lindos muitas vezes eram opacos, mostrando o seu real estado interior.

Ela era uma pessoa fechada, normalmente não saia para festa alguma, fazia isso raramente e somente quando fosse necessário, os homens a assediavam, mas ela ainda não tinha aberto o seu coração.

Ela toma o chocolate inteiro e a chuva não dava mostras de que iria parar tão cedo, ela então paga a conta e sai da lanchonete, e volta a caminhar calmamente pela rua, não demora muito para que ela fique toda encharcada.

Ela chega à estação do metrô e acessa o primeiro carro que para todos olhavam para ela, era impossível que uma garota tão linda e tão molhada passasse desapercebida.

Ela desce em sua estação, caminha mais um pouco debaixo da chuva e chega ao prédio onde morava, por onda ela andava deixava um rastro de água, ela chega ao seu apartamento, abre a porta e vai direto ao banheiro.

Joga tudo o que levava e sua roupa num canto e se deita na banheira, e deixa com que a água quente caia sobre sua cabeça.

Meg fica ali por cerca de trinta minutos, então sai e se enxuga, vai ao quarto e coloca uma roupa confortável e quente, vai à cozinha e prepara um lanche, e o come lentamente sentada à uma cadeira.

Seu olhar ainda se mantinha distante.

Ela termina o seu lanche, levanta e vai à sala, se aproxima da janela e olha parta fora, a chuva caia mais forte ainda, de repente algumas lágrimas escorrem por sua face, mas ela se mantém imóvel.

Meg fica alguns minutos ali parada, então se volta e senta numa poltrona, olha para o telefone e pensa em ligar para alguém, mas suas intenções não passam disso.

Ela então se levanta e vai até um armário que havia na sala, abre a porta e retira uma garrafa de Tequila Dom Julio Blanco e um copo, volta para a poltrona, enche o copo pela metade e começa a beber a bebida.

Após terminar com a bebida do copo ela o enche novamente, dá um gole e vai até seu quarto, abre uma porta do armário e pega uma pasta grande, volta com ela para a sala e abre essa pasta.

De dentro dela ela retira alguns quadros pintados por ela, eles eram lindos, de uma expressividade magnífica, ela examina um a um, depois os recoloca dentro da pasta, seu rosto fica ainda mais grave, pega a pasta vai até a pequena lavanderia e a joga numa lata de lixo.

Meg volta e termina a sua bebida, fica mais um pouco ali e vai ao seu quarto, coloca uma roupa mais leve e se deita, logo ela adormece.

O dia amanhece debaixo de chuva, Meg acorda se levanta e olha pela janela, o dia estava feio, o frio incomodava, ela então volta para a cama e volta a se deitar, logo ela pega no sono novamente.

Ela acorda por volta das dez horas, olha para seu celular e vê que havia várias notificações do pessoal da empresa, ela então desliga seu celular, e tenta voltar a dormir. Mas não consegue.

Ela se levanta, vai até a janela e constata que a chuva continuava e bem forte, ela então se veste com uma roupa mais adequada, vai à cozinha e prepara um chocolate quente, que o toma junto a algumas rosquinhas de baunilha.

Após um tempo ela veste outra roupa, pega sua bolsa e sai do apartamento, assim que sai à rua pega um taxi.

Ela chega a um prédio comercial, ela vai até a recepção e se identifica, o recepcionista lhe entrega um crachá e ela entra até o hall dos elevadores, pega um carro que ali estava com as portas abertas e sobre até o vigésimo andar.

Se dirige a uma das portas, toca a campainha e logo a porta é franqueada, ela entra numa pequena sala de recepção, e diz à recepcionista que precisava falar com a Dra.

Lynn, e que não havia marcado horário. Mas que ela tinha essa liberdade, dada pela própria Psicóloga.

Não havia mais ninguém na recepção, logo a porta do consultório se abre e uma pessoa sai dele, então a recepcionista pede que ela entre, assim que entra no consultório a psicóloga via até ela e lhe abraça.

Em seguida Meg senta a uma cadeira e as duas começam a conversar.

As coisas não estavam indo bem, o descontrole emocional estava se intensificando novamente, ela deveria voltar com as medicações.

A consulta dura quase duas horas, Meg sai dela melhor, então decide que precisava de uma folga no trabalho, então liga para seu chefe e decide se encontrar com ele naquele mesmo dia para lhe dizer como estava se sentindo.

O Sr. Martin era uma pessoa muito boa, compreensiva, tinha uma especial admiração por ela e por seu trabalho, ele era um dos que a incentivavam a iniciar uma carreira solo em sua arte.

Ela chega a sua empresa por volta das quatro horas da tarde, o chefe a esperava e assim que ela entra ele indica a cadeira para que ela se sente nela.

Meg então lhe fala:
— Eu não tenho estado muito bem.
— Eu preciso de um descanso.

O amigo a olhava com uma expressão suave, então lhe diz:
— Você tem se doado muito ao trabalho.
— Normalmente fica até mais tarde.
— Nós já nos falamos sobre isso, e que um dia iria ficar esgotada.
— Eu concordo com você quanto ao descanso.
— Não há problema algum, me diga quanto tempo você quer.

Meg olhava para ele com um rosto angustiado, ela estava numa situação muito ruim, pois se por um lado ela precisava se afastar de suas atividades de trabalho, por outro lado ficar sem fazer nada a faria pensar nos problemas.

Ela estava numa encruzilhada na qual todas as alternativas eram ruins.

Meg então responde ao amigo:
— Eu não sei ao certo o que seja melhor.
— De verdade.

O amigo lhe diz:
— Saia uns dias, volte para sua cidade natal.
— Visite os seus pais.

Meg muda sua expressão, ela fica mais tensa, abaixa a cabeça e diz:
— Jamais.
— Essa não é uma alternativa.

O chefe insiste:
— Claro que sim, esse é o problema.

Meg então se levanta e ameaça ir embora, o Sr. Martin também se levanta pega ela pelo braço e diz:
— Sente, por favor, sente.

Ela o obedece, e ele diz:
— Olhe para mim.

Meg levanta a cabeça e olha para ele, que continua falando:
— Tudo bem, tudo ao seu tempo.
— Mas saia, vá se divertir, procura uma praia ou uma montanha.
— Passe algum tempo se divertindo.

Ele muda sua expressão, parecia que havia se lembrado de algo, então ele fala a ela: – Vamos fazer o seguinte: eu tenho uma amiga que trabalha numa agência de viagens, eu vou ligar para ela.
— Deixe comigo, eu vou conseguir algo interessante para você.
— Você gosta de montanha, me disse uma vez, estou certo?

Meg olha para ele aparentemente sem interesse, mas passados alguns segundos ela balança a cabeça em sinal positivo, ele abre um sorriso e diz a ela:
— Então deixe comigo, não se preocupe com nada.
— Eu te darei uma licença remunerada.
— Você merece isso.
— Então estamos decididos: vá para casa, agora você irá descansar.
— Deixe comigo que eu vou acertar tudo e te ligo ainda hoje.

Meg então volta para seu apartamento, vai tomar um banho, após terminar volta ao quarto e coloca uma roupa mais adequada, volta para a sala e senta no sofá quando o seu telefone toca: era seu chefe.

Ele tinha ajeitado tudo: ela ganha de seu chefe uma passagem de ida e de volta para um chalé que fica no topo de uma montanha na região norte do estado.

Ela adorava esses locais de montanha com neve.

A viagem estava marcada para o dia seguinte, seu chefe não queria que ela tivesse muito tempo para “pensar melhor” e desistir do negócio.

Meg desliga o telefone respira fundo e abre um discreto sorriso, de certa forma ela se sente um pouco aliviada, esses dias lhe farão bem, ela acha que esses dias a farão ficar mais calma e relaxada.

Meg levanta do sofá e vai ao seu quarto, pega sua mala e começa a colocar ali as roupas que necessitaria para passar os sete dias naquele local frio e congelante.

Não demora muito e sua mala está pronta, ela vai à cozinha e prepara uma refeição rápida e se delicia com ela.

Volta para a sala e assiste um pouco de televisão, algo incomum para ela, mas a ajuda a passar o tempo.
O sono chega, ela vai à cama se deita e dorme profundamente.

No dia seguinte ela acorda tarde, levanta faz um desjejum, chega a mala, coloca algumas peças a mais que havia esquecido, e decide passear um pouco pela cidade, isso a ajudaria a relaxar.

O dia vai passando, a anoite chega e ela vai para o aeroporto, faz o check-in e entra para o saguão de embarque, e espera a chamada de seu voo.

Enquanto isso não acontece ela decide tomar um café, então ela ouve a chamada de seu voo, ela se dirige ao portão de embarque e logo estava dentro da aeronave.

A viagem será de cerca de duas horas, logo ela estará nas montanhas debaixo de um frio congelante, mas que lhe trará alívio e repouso.

Uma nova jornada se inicia para ela.

Do Livro:
As Histórias de Tom Croos

Walter Possibom, São Paulo, SP, é escritor, guitarrista da banda Delta Crucis, e Livre Pensador.
Facebook: https://www.facebook.com/wpossibom/

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