Desenho: Leandro Cordeiro / Colorização: Júnior Silva

Ainda Respira! (CD Gatos & Alfaces 4)

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Barata Cichetto


É correto e justo pensarmos que o Rock está morto? Pode ser tão correto quando pensar que o sonho acabou, que o amor acabou, que a poesia acabou. Correto pensar de tal forma, quando todas as tendências modernas, num conturbado início – nem tanto – de século, nos apontam ao fim. Não há mais espaço para essas coisas, não há mais espaço para nada, de fato. Mas seria justo, afirma que, especificamente o Rock, está morto?

Claro que não! Mesmo porque, o Rock, enquanto qualquer estilo musical é mutante, metamorfônico, cíclico e se auto recicla sob outras formas. E gera filhos, netos e bisnetos. Sua própria história nos diz isso, pois ao contrário da maioria dos estilos, não existe consenso ou precisão quanto à exatidão de sua data de nascimento. Então começamos assim: o que não tem data de nascimento não terá data de morte. Simples assim.

Desenho: Leandro Cordeiro / Colorização: Júnior Silva

Mudaram-se os costumes, as modas e as atitudes inerentes ao Rock, em todo o planeta, mudou a maneira de se compor, aumentou a tecnologia e agregou-se componentes diversos. Pensamos atualmente, com o envelhecimento e desaparecimento dos grandes nomes do Rock mundial, como um sinal de que os tempos estão prestes a findar, que novas tendências para a musica tomarão conta do mundo. Mas isso não é sinal do fim, muito pelo contrário.

Mas, e no Brasil, como fica isso? Apesar de ter experimentado um período de gloria criativa e relativa nos anos 1970, e de uma gloria financeira também relativa nos anos 1980, o Rock no Brasil nunca foi, digamos, o estilo de musica e comportamento de uma maioria. A questão é puramente cultural e inerente a miscigenação que constitui a população brasileira. Influencias tão distintas, da africana à oriental, passando pela européia, transformaram nossa cultura num caldo heterogêneo. Indigesto para alguns, mas mesmo assim um caldo.

Tratado inicialmente como um estrangeirismo, numa análise tosca e mal intencionada, como objeto de domínio cultural americano pela ótica torta de hostes de viés comunista, ou apenas como diversão de adolescentes de classe média, o Rock no Brasil sofreu, sofre e sempre sofrerá com essa rejeição. E numa análise totalmente enviesada que não leva em conta que, fora a musica que era usada em rituais indígenas pré-Cabral, todas as outras formas de musica seriam invasões. Enfim, o Rock, quanto qualquer outra forma de musica e de arte em geral, não pode ser tratado de maneira tão estúpida e burra, mas foi essa a principal causa dele ser subjugado e colocado de escanteio.

Há culpados e menos culpados nesse julgamento, mas nenhum inocente. Da mídia aos músicos, do publico aos empresários, todos colaboramos para que o Rock no Brasil não tenha atingido o grau de importância que agora reclamamos. A pena? Decerto não é perpétua, embora seja a de aprisionamento num sistema carcerário que inibe qualquer criação mais rica do ponto de vista musical, mais criativa do ponto de vista da estética, e principalmente mais gloriosa, sob o prisma financeiro.

E o que podemos fazer para manter o Rock no Brasil ainda respirando? Ficar sentados nos lamentando? Programar um “abraço simbólico” e totalmente inócuo? Postar lamentos em rede social? Da minha parte, sou favorável a ação prática, mesmo que o resultado seja porventura insipiente. E essa ação chega por intermédio de uma coletânea, com dezoito das mais representativas bandas e artistas que ainda insistem em manter, mesmo que com aparelhos, o Rock do Brasil respirando.

Um brado de guerra, um grito de alerta, um alento. Decidam de que forma querem escutar “Ainda Respira! – Gatos & Alfaces Rock Collection”, que mescla todos os estilos relativos à árvore genealógica do Rock feito nestas terras; Do Progressivo ao Metal Extremo. Do Punk ao Hard Rock. Do Blues Elétrico ao Instrumental.

Enfim, acredito piamente que o Rock feito no Brasil ainda respira. Cabe a nós todos mantê-lo vivo! Com ações, não com subjetividades e lágrimas.

Criação e Direção Geral: Luiz Carlos Barata Cichetto
Co-Produção: 80’s VHS Studio
Produção Executiva: Klaus Kobra
Selo: G&A records
Ano de Produção: 2014
Duração: 1:12:26
Capa: Criação Barata Cichetto
Desenho: Leandro Cordeiro
Colorização: Júnior Silva
Apoio: Stay Rock Brazil 
Gravação: Only Media
Impressão da Capa: Gráfica Mundial (11) 2023-2027

Texto Publicado na 4ª edição da Revista “Gatos & Alfaces“, Agosto, 2014

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador!

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