Vômito de Metáforas | “Isto Fica Feliz em Servi-lo”. Ou: Há Tempos Que Sou Apenas “Isto” Ou “Aquilo” e Pelo Visto Peso Menos de Meio Quilo

Barata Cichetto

Estou chegando ao fim dos Vômitos de Metáforas. Que de início eram Agulhadas. Depois viraram Pornomatopéias Dois. Minha meta eram cem. E esta é a noventa e nove. E sei que minha antiliteratura a ninguém move. E muito menos comove. Mas é meu exercício de liberdade. E minha visão da realidade. Feita por minha mais livre e espontânea vontade. Se é mentira ou verdade. Pouco me importa. Se ela me abre a comporta. Ou me mantém atrás da porta. É também de somenas importância. É apenas minha última instância. Sem ego nem ganância. Só me farto na abundância. De vomitados enfiados pela sua garganta. Bem depois da sua janta. E sei que de nada adianta. Porque a ditadura se agiganta. E a todos ameaça. E como para qualquer bobagem é pouca a desgraça. Mal paga ou de graça. Sofro calado todas as ausências. Como se estivem em publicas audiências. Com velhos sábios das ciências. Misturo alhos com bugalhos. Bucetas com caralhos. E percebo em frangalhos. Minha esperança que sempre foi tardia. Falo da criança e da vadia. Da sua falta de coragem e minha covardia. Misturo tristeza com merda. Reclamo de quem me herda. E brigo até com a lesma lerda. Poesia, política e putaria. É o que sempre me enseja essa porcaria. Que na Academia nunca passaria. Pela portaria. Lamento o que eu poderia ter sido. Do que nada me tenha acontecido. E de a todos menos a mim pertencido. Alego insanidade. Declaro inocência no Tribunal da Verdade. E depois cuspo no prato da perenidade. Misturo as putas da Ipiranga com a Aurora. E da esquina da Augusta com a Timbiras. Com as megeras com quem fui casado. À noite todos os gatos são pardos. E nas janelas dos sobrados. Todos os velhos são tarados. Penso na sujeira das calçadas. Lembro das figuras desgraçadas. E nunca esqueço das bichas engraçadas. Falar de bichas e travestis e outros termos. São perigosos nestes tempos ermos. Onde seres humanos estão todos enfermos. Dizem que na minha idade. Eu deveria apenas chorar de saudade. E sorrir de felicidade. Afinal até estou aposentado. E tenho que ser recatado. E aceitar de velho ser chamado. — Perdi meus filhos na feira. E quem achou foi uma puta rampeira. Que lhes foi madrasta e alcoviteira. Achei de ser amigo. E aí foi que corri o maior perigo. E é por isso que agora eu digo. Que arrependimento é coisa que mata. Perdão é o que mais maltrata. E desprezo é doença que não se trata. Achei de perder o que tinha. E dar tudo o que em mim continha. Mas nunca colhi as uvas da minha vinha. Agora o que me resta é apenas a amargura. Olhar para a rua escura. E apertar o que não segura. E não deveria ficar surpreso. Por ter sofrido o desprezo. Dos que veneram um bandido preso. Condenado em três estâncias. E por força de estranhas circunstâncias. Libertado e gratificado com abundâncias. — Emagreço a olhos vistos. Encaro demônios e anticristos. Até que me devorem os meus quistos. Um dia falei que um buraco na escuridão era a luz. E que a qualquer caminho a morte conduz. Agora enxergo que ouro puro nunca reluz. Lembro da infância e de pés de ameixas. Da quase namorada loura e suas madeixas. Percebendo que de tudo me sobram apenas queixas. Queda-se agora meu olhar ao teclado do computador. Que sofre com minhas pancadas sem reclamar de dor. Nem das lamúrias de um velho servidor. “Isto fica feliz em servi-lo”. (A frase do Homem Bicentenário. Que nunca saiu da minha cabeça). Há tempos que sou apenas “Isto”. Ou “Aquilo” E pelo visto. Peso menos de meio quilo. Há tempos que não sonho acordado. Estou sempre preocupado. Confuso e atordoado. “Dazed and Confused” é a música do meu funeral. Tragam a banda e esqueçam o General. Sirvam Jack Daniels no lugar de água mineral. Estou morto há tempo demais. Desde que “Nevermore” me disse: “Nuncamais”. E nas asas do corvo retornarei jamais. E por falar em corvo. Penso que há muito sou apenas estorvo. Que a toda sorte de azar bebo e absorvo. E agora desejo categórico. Antes do final vomitado metafórico. Nesse meu regurgito eufórico. Que “não se preocupe meu amigo. Com os horrores que lhe digo”. Porque estou longe de ser seu maior perigo. — E aguardem o último capítulo desta saga maldita. De alguém que ainda acredita. Que a tal de vida poderia ser muito bonita.

28/05/2024

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e co-fundador da Editora Poetura. Um Livre Pensador.
Contato: (16) 99248-0091

Vômito de Metáforas | Hoje Estou Passando do Passado e Esperando o Futuro Condenado

Barata Cichetto
Este sou eu mesmo. Que atiro a esmo. E adoro cerveja com torresmo. Eu que escrevo torto ...

Vômito de Metáforas | A Humana Natureza Que Descobre Curas, Desenha Figuras e Termina Por Criar Ditaduras

Barata Cichetto
Estou no Jardim Silvânia. E estou querendo ir à Ucrânia. Alguém sabe se é perto da Albânia? ...

Vômito de Metáforas | Era Uma Vez Um Luiz Que Nunca Foi Feliz

Barata Cichetto
Entendo merda nenhuma de futebol. Que me parece mongol. Mas entendo de tesouras. Linhas e agulhas. Também ...

Vômito de Metáforas | Hoje é Domingo Que Pede Cachimbo, Mas Não Tem Feira-livre na Ditadura dos Silvas

Barata Cichetto
Imagine um Céu de Brigadeiro. E um pijama de lã de carneiro. Depois esqueça porque nada mais ...

Vômito de Metáforas | No Fim Tudo é Morte ou Acaba em Magia

Barata Cichetto
E agora pergunto o que tem a ver. O que ainda posso viver. Com meu instinto de ...

Vômito de Metáforas | Viver é Tão Engraçado Quanto Ser um Desgraçado Cagando Sentado

Barata Cichetto
A vida até que é engraçada. Quando não é uma desgraçada. Um a gente nada de braçada ...

Vômito de Metáforas | Quero Ver Izaura Soltar Sua Risada e Francisco Gozar Nas Cuecas

Barata Cichetto
Meu avô que era loiro de olhos azuis. Feito o Médice. E o Chico. Também era Francisco ...

Vômito de Metáforas | O Caminho da Morte é o Único Que Eu Ainda Não Percorri

Barata Cichetto
Um dia Raul, o Seixas não o outro das gueixas, disse: "Você me pergunta aonde eu quero ...

Vômito de Metáforas | Deus Não Usa Túnica, Usa Moda Exclusiva e Única. Não Usa Barba Comprida e Faz da Farsa Missão Cumprida

Barata Cichetto
Imagine "se eu morresse amanhã". Conforme escreveu o moleque safado do Azevedo. Mesmo que não fosse de ...

Vômito de Metáforas | Ninguém Acredita, Mas Eu Queria Escrever Coisa Bonita

Barata Cichetto
Eu bem que tento falar de coisa bonita. Mas, ninguém acredita. É só palavra maldita. Que sai ...
Vômito de Metáforas |  Que Me Perdoe o Único dos Deuses Vivos: o dos Livros

Vômito de Metáforas | Que Me Perdoe o Único dos Deuses Vivos: o dos Livros

Barata Cichetto
Todos dias desde que me conheço por gente. Penso na minha morte. Mas a penso de forma ...

Vômito de Metáforas | Eu Nasci a Daqui Dez Mil Anos. E Isso Nem Estava nos Meus Planos

Barata Cichetto
Eu nasci há... Não, não foi “há dez mil anos atrás”, que por si só já é ...

Vômito de Metáforas | Puteiro Não é Lugar de Putaria: (“Em Brasília Dezenove Horas”)

Barata Cichetto
Agora eu atesto. E me manifesto. No meu direito de livre pensador. Contra a tirania do condensador ...

Vômito de Metáforas | Que Sobrevivamos às Regras Morais Para Catar os Espojos do Que Seremos Nunca Mais

Barata Cichetto
Há tempos não sentíamos tanto medo. E não é segredo. Que nos idos de mil novecentos e ...

Vômito de Metáforas | Eu: A Menor Minoria da Terra (*)

Barata Cichetto
Meu problema com o Deus cristão. É pela guerra na Ucrânia. O comunismo da Albânia. E as ...

Vômito de Metáforas | Sou Apenas Um Desgraçado Que Se Acha Um Tanto Engraçado

Barata Cichetto
Quero falar agora sobre quem me atura. E que não é vendedora da Avon ou da Natura ...
Compartilhe!
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!