Vômito de Metáforas | Eu Podia Estar Roubando, Podia Estar Matando, Mas Estou Vendendo Poesia à Prestação

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Barata Cichetto

Há sempre os que reclamam. E que clamam. Por justiça. E pedem de um jeito antigo. Que apoiem um amigo. Mas nunca dão abrigo. A quem corre perigo. Acham errado pagar caro ingresso. Ao artista do progresso. E não pagar no processo. Para ver o falido artista. Poeta e contista. Amigo das antigas. Que canta suas cantigas. Para comprar seu pão. E sofre como um cão. Dormindo no chão. E dizem ser a favor. Do louvor. Ao cantor. Ou compositor. Ou ator. Desempregado. Desgraçado. Desenganado. E compram o último disco do Sabbath. Do Pink Floyd. Da última banda cult do cenário. E acham que apoiam a cena. Obscena. Underground de Nova Iork. Que é mais Rock. Que a Vila Nova Iorque. Do lado debaixo do sul do cu do mundo. A banda do Raimundo. — Falam isso e aquilo. Mas não compram um quilo. Daquilo. Que se chama sal. Ao artista abissal. Que sustenta a família faminta. Ainda que minta. Ou que sinta. Que seu bom é o seu mal. Falam. E depois desfalam Que querem comprar a obra. Ou a sobra. Do escritor rasgado. Esmagado. Enganado. De pés descalços. Que escreve em folhas de almaços. E grita sua dor. Sobre os pés do ditador. E do Imperador. Que sofre com artrite. Neflite. Bronquite. Otite. E ainda assim escreve como quem vai morrer. Sua Filosofia de Pés Sujos. Sua poesia de mãos limpas. Então chega de hipocrisia. E ser quer poesia. Pague com dinheiro. E não chame de companheiro. Quem apenas precisa sobreviver. Chega de falar em ajudar. Que artista não precisa de ajuda. Que ninguém o acuda. Precisa e merece. E não carece. De esmola. Que desde a escola. Sabe que antes precisa dar. Para receber. Sem saber o tolo. Que no meio do bolo. Há uma faca amolada. Que ele pode muito bem colocar na cinta. E antes mesmo que sinta. Cortar sua própria garganta. Para não perecer. E para não parecer. Um idiota às duas e meia da manhã. E ainda concorda. Em deixar de lado a corda. A faca e o veneno. E escrever no sereno. Sobre o que será quando crescer. Antes de arrefecer. Antes de descer. A Rua da Amargura. Que a essa altura. Sempre parece uma íngreme subida. Que na descida. Sempre acaba esquecida. Porque um eterno suicida. Sempre trucida. O que lhe causa a dor. E mata de susto o homicida. Que se acha o Imperador. Quanto custa minhas Memórias? Pergunta quem não quer saber das histórias. Nem das glórias. De um historiador. Apenas um eterno contador. De estórias. Sem final feliz. Que se chama Luiz. Mas que há gente que diz. Que é apenas um aprendiz. De poeta. Um falso profeta. E um pequeno ditador. Que ao ditar sua dor. É mais forte que o velho de andador. Que nunca foi o ente paterno. Mas um eterno falador. E nem é chamado de pai pelo traidor. Primogênito. Congênito. E que um dia herdará para meu desgosto. O posto. De meu seguidor. Por dinheiro. Não por ser amado companheiro. Pródigo filho de primeira gestação. Nascido na Primavera estação. E agora peço aos amigos. Entes antigos. Que não ajam com hipocrisia. Que sempre rimo com poesia. Por falta de outra palavra. Que minha lavra. Quase analfabeta. Em versão Alfa ou Beta. Se completa. Com minha afasia. E por idiossincrasia. Numa nova rima. Minha palavra de auto estima. Se chama coerência. Ou seja comprem a única coisa que tenho a vender. E não peçam de graça. Minha escrita desgraça. Ou irão se arrepender. — Quem me dera poder esquecer. Quem me dera poder endurecer. “Sin perder la ternura jamás”. Como a frase escrita na camiseta. De cara etiqueta. Que foi dita. Pelo ditador cubano. Que era argentino. Um desumano cretino. Assassino. Que acham que o foi o libertador. Mas foi apenas ditador. De qualquer forma queria poder não envelhecer. Evanescer. E antes de coisa uma ter. A barba afagada por um neto. Mas me negaram o afeto. E cumpriram o decreto. Que mandou que escarrassem em um genitor. Cagassem no escritor. E matassem de tristeza o pai direito. Cujo único defeito. Foi ser um livre pensador. E que escreveu um livro. Chamado “Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor”. Comprem. Leiam. Ou parem de falar em apoiar. E vão gastar. Comprando o do Coelho. Péssimo escritor Vermelho. Ou de qualquer outro estrangeiro. Que enfia no rabo sujo do companheiro. Ou redecora seu banheiro. Apenas não critiquem qualquer pessoa. Por comprar o Desassossego do Pessoa. E deixar de pagar. Pelo livro do faminto escritor da esquina. Que tem por sina. Morrer de uma fome. Que não tem nome. Nem sobrenome. E que divide com os gatos sua cama. Sonhando um dia se deitar na fama.

29/04/2024

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e Livre Pensador.

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