Vômito de Metáforas | A Morte é Minha Vingança Contra os Que Roubaram Minha Esperança. E Que os Vermes Comecem Sua Dança

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Barata Cichetto

Sabem aquele velho vazio. Que a gente sempre sente? Sendo velho ou novo. Bastando ser gente? Eu sinto um vazio que é velho. Eu não sou o Coelho. Nem Surfistão. Sou apenas um pentelho. No Araraquaristão. Ficar velho. Porque velho não é ser. Velho é estar. Não é doença. Estar velho é sentença. De morte. Por condenação. Sem redenção. E essa de glamourizar a velhice. É uma imensa tolice. De quem não tem espelho, Ou olha para ele através do travesseiro. Ficar velho é uma bosta. E quem diz que gosta. Não passa de um velho idiota. Que encosta. A cabeça no sofá e dorme antes da conversa terminar. Ficar velho é uma merda. A não ser para quem dele herda. O que o excremento velho irá deixar. Estar velho é suplício. E o maior indício. De que logo se acaba o seu velho penar. E ficar o dia inteiro a pensar. Que viver está muito pesado. De um jeito que nunca tinha pensado. Um barco em mar revolto. Nas brumas escuras envolto. “Quem fala verdade não merece castigo.” Mas ganha um inimigo. E eu escravo de mim acendo a centelha. E nas minhas coxas moldo uma telha. Minhas pernas tem hematomas. E carcicomas. Meu pulmão edemas. Minha cabeça problemas. Aperto meu cinto. E assim pressinto. Que emagreci até no pinto. Que parece ter sido extinto. — Penso nas fraudes. Nas eleiçoeiras maldades. E nos falsos padres. E las putas madres. E nas urnas tão falsas. Quanto americanas valsas. Deus é um psicopata. Que criou o céu e a mata. Mas protege quem rouba e mata. E elege esquerdopata. Falam que criou as florestas e flores. Mas deixa vivos os ditadores. Um Deus sociopata que se esconde. No cu do Conde. E nunca responde. A quem lhe corresponde. — Do outro lado do planeta. O homem da capa preta. O filho do capeta. O bandido da luz vermelha. Que a ele se assemelha. E me aconselha. A ser uma centelha. Um buraco na escuridão. A luz na imensidão. E eu que enquanto vivo não peço perdão. E encaro a solidão. Até que ela de mim a morte separe. Esperando que não me desampare. Nem me compare. O coletivo de vermes. Com as madames de bolsas hérmes. Ou aos paquidermes. E que roam minha carcaça sem utilidade. Alimentando a fertilidade. Para a sobrevivência de outros seres. Nos seus necessários viveres. Sou mesmo um velho vazio. Que um dia foi vadio. E que depois de idoso. Ficou tão cuidadoso. E tão silencioso. Quanto um ladrão. Que no Brasil tem cem anos de perdão. E mil anos de solidão. — Lembro agora do Garcia Marquez. E do Marquês. De Sade. Sua promiscuidade. E sua perversa iniquidade. E lembro também de Izabel. Aquela que pelada esperou Papai Noel. Dançando com Carlos Gardel. Agora coloco minhas barbas de molho. Abro um e fecho outro olho. Feito um coelho caolho. Ontem mesmo olhei minha cueca suja. Com bostífera garatuja. E pensei que a dita cuja. De lavar não era obrigada. Ela disse “de nada”. Que não é minha empregada. Trato agora de preparar minha mortalha. Que será queimada na fornalha. Porque até um canalha. Quando vira defunto. Merece velório com café e presunto. E todo mundo chorando junto. Chamem o maquiador. Façam caipirinhas no liquidificador. Só não permitam a entrada do ditador. Seja ele um careca ou um desdedado. Qualquer imperador deve ser barrado. Porque quero ir embora sossegado. Porque não carrego comigo nenhuma culpa de maus feitos. Certo que paguei pelos meus defeitos. Aos filhos e aos pais e prefeitos. — Para mim a morte é a vingança. Contra os que roubaram minha esperança. E que os vermes que reinam comecem sua dança. Que vivam as blasfêmias. Todas as verdadeiras fêmeas. E as putas gêmeas. Amém!

25/05/2024

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e editor do Agulha.xyz, e co-fundador da Editora Poetura. Um Livre Pensador.
Contato: (16) 99248-0091

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