Art by Barata

Aborto Vivo!

Compartilhe!

Barata Cichetto


É preciso pagar as contar. Acertar as pontas. Ou pagar as pontas e acertar as contas. Seguir a moda e roer da corda. Roer a moda e seguir a corda. O enterro. O desterro. É ferro. A ferro e fogo. De fogo. Sou joio. Joia rara. Minha tara. Sara. Sou cruel. Cru e mel. Cu é fel. Poesia concreta. Poesia cimentada. De pedra. Poesia é merda! Sou sangue puro. Não puro sangue. Sou do mangue. Chupa meu pau. Com sal. E tal e qual. Beba minha porra. Toda. Beba essa porra toda. Foda-se. Foda. Se. Foda se puder! Foda-se o poder. Quero correr. Não morrer. Socorrer. Meninas desesperadas à beira da ponte. Quero escorrer. Me transformar em líquido. Na sua boca. Louca! Não me lembro de nada. Que não seja lembrança. Nada que não seja esperança. E ainda hoje morro. Mas só amanhã. Deixo-te em paz. Mas. Mas nada de pás. Mais nada de país. Nem de raiz. Não sou planta. Sou carne. Moro junto do sol. Minha morada é meu sol. Sol na morada. Só namorada. Ainda caso com ela. Ela que quer. Mal me quer. Bem, me quer? Sou antropófago. Como gente. Antropólogo. Desenterro caveiras. Macunaíma nasceu ali na esquina. E eu fui cagado. Escarrado e morto. Com uma faca nas costas. Estou por enquanto. Aceso. Queimo ainda. Meus dedos. Queimo mais. Segredos. Escrevo besteira. Sou uma bobagem. Sou carniça. Aborto vivo.

15/09/2018

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

5 1 Vote
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários