A Pequena Suja e os Chocolates

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Barata Cichetto


Não existem mais buscas. Nenhuma mudança brusca. De direção. Apenas coração. Remendado com fita isolante. Amarrado. Com barbante. Alma limpa. Com desinfetante. Por um instante. Acreditei bastante, Na intenção. Ao Inferno foi minha adoração. E agora. Que não há mais condição. A aflição. Da solidão. O medo de ter medo. E de chorar. Só. O nó. No estômago. Estou magro. De tanto odiar. A mim. Por mim. Por fim. Não há mais desejos. Nem beijos. Nem ensejos. Nem rimas calorosas. Amorosas. Apenas seguir em frente. Que o caminho é diferente. E por direito. A próxima à direita. È minha mão de direção. Dirijo. Na contramão. Com a mão. Esquerda. Acenando ao ladrão. Por que não? Se no meio de tudo. Não há senão. Senão o não. E o anão. De orelhas grandes. Matou a fome. Nas carnes doces. Tratou a coices. Com foices. E foi-se. Sem olhar. E de soslaio. Agora me encara. Dentro do lotação. Enquanto a Dama do Lotação. Lê um livro de Nelson Rodrigues. E nem percebe que são sete os gatinhos. E a porca gorda. Morta comendo chocolates. “Coma chocolates pequena suja”. Assim disse Pessoa. Em outra pessoa. Mas tudo parece apenas um filme de cinema. O estupro de uma carne branca ao sol. Com que se farta. O monstro. Mas agora não há mais nada. E nem a fada. Safada. Danada. Desgraçada. Pode me socorrer. Antes de eu morrer.

08/11/2017

Do Livro:
Pornomatopéias
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Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor. Criador e Editor do Agulha.xyz e Livre Pensador.

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