Foto: Monique Cabral / Agência O Globo

A Arca do Barata – Pornografi’A Barata na Era Pré-Internética

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Barata Cichetto


Bicho, digite ai: www.queromuiepelada.com.br , ou qualquer coisa assim. Uma porrada de fotos eróticas, mulheres peladas, transas, gay, lésbicas, zoofilia e qualquer coisa que sua libido e seu fetiche desejarem. Fácil, não?!

Mas nem sempre foi assim, acredite! Existiu uma época, na nossa querida Era Pré-Internética, em que o máximo que a gente tinha eram revistinhas com desenhos toscos, apenas contornos, contando histórias picantes. As poucas revistas eróticas da época não podiam mostrar os dois seios na mesma foto e ainda assim,os bicos tinham que ser raspados. Bundas, apenas uma banda e pelos de xanas…. Isso nem pensar. Qualquer sombra escura era motivo para a revista ser recolhida e seus editores terem que dar explicações à Policia Federal, quando não tinham suas editorias invadidas e os funcionários saírem algemados e a redação destruída.

A única maneira mesmo eram os “Zéfiros”, as tais revistinhas em formato de ¼ de ofício, compradas às escondidas em bancas de jornais apenas de conhecidos porque senão…

É, a Era Pré-Internética era mesmo uma era eunuca… Mas em compensação a gente até batia uma olhando os desenhos toscos, mas depois saia e conhecia gente de carne e osso. Batia papo na esquina até de madrugada tocando violão e sempre tinha alguém com desejo, do mesmo jeito que agora. A diferença é que as mulheres gemiam mesmo, não era um programa de computador.

A seguir outros dos meus achados em minha Arca. Um texto escrito em 1996, falando sobre Carlos Zéfiro, que logo em seguida foi descoberto. Seu nome era Alcides Caminha, um ex funcionário público, bem sério. Pouco tempo depois, Alcides morreu.

10/29/2008

--- Você Já Leu Catecismo? - A Arte Erótica de Um Pioneiro ---

Aqueles que têm cerca de 40 anos, certamente iniciaram sua sexualidade por intermédio de um tipo muito especial de literatura erótica: os chamados “catecismos”. Pequeninos livros – para caber no bolso das calças – simplesmente desenhados à bico de pena.

As histórias eram até bobas, mas retratavam os sonhos – para a maioria só isso – eróticos da molecada. O livrinho era comprado às escondidas – vendido pelos jornaleiros ” transgressores” dentro de singelas revistas – velhas – de foto-novelas – , levado para dentro do banheiro e devorado, melecado, emprestado.. e rasgado pelos pais mais zelosos.

Os ” zéfiros” eram disputados a tapa, falsificados. Durante muitos anos, quando passaram a se preocupar com isso, aquela molecada que cresceu, tentou descobrir quem era seu autor. Mas ele, com medo, vergonha ou sei lá o que, se escondia. Somente na segunda metade dos anos oitenta é que descobriu que seu autor, que assinava com o codinome Carlos Zéfiro, era um pacato funcionário público de nome Alcides Caminha, um senhor idoso.

Mas a verdade é que os ” zéfiros” foram o responsáveis pela iniciação sexual de mais de uma geração, que se acabava na punheta, imaginando aquelas mulheres gostosas, que transavam como loucas, dentro daqueles ” catecismos” . Muito antes das empregadas domésticas, para a classe média, as primas na classe mais pobre, e posteriormente as putas da zona. “Iris” , “Vanessa” e tantas outras foram meladas pela nossa porra ainda incolor.”

5/5/1996

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor, tem uma arca na cabeça. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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